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“Wisdom of serpent be thine,

Wisdom of raven be thine,

Wisdom of valiant eagle be thine”

– Gaelic Scottish Prayer

Mudança de estação…

Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser… sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.

Pablo Neruda

Feliz Equinócio de Outono!! Feliz dia. Feliz equilíbrio. Felizes mudanças…

Eu queria achar um bom poeminha ou prece para a estação mas não encontrei um que combinasse com o que está na minha cabeça e coração hoje. Vi alguns poemas tristes. O outono tem uma tendência introspectiva e muitas vezes triste. Mas apesar de eu ter ficado triste hoje várias vezes, neste exato momento eu não estou nessa vibe. Então escolhi o poeminha do Pablo Neruda. Eu também quero amor sem fim, também quero ver as próximas estações… também quero os olhos do meu amor.

Mas enfim. Quero acima de tudo que as coisas velhas vão embora. Que as coisas passadas fiquem no passado. Que os sentimentos ruins vão embora. Que as coisas bonitas fiquem na memória. Que as dores deixem apenas a sabedoria e o aprendizado. Que cada um colha exatamente aquilo que plantou e desejou. Que, dentro do possível, o mundo colha mais amor, mais sabedoria, mais tolerância e mais luz. Bom início de estação.

Alberto Caeiro

“O luar quando bate na relva
Não sei que cousa me lembra…
Lembra-me a voz da criada velha
Contando-me contos de fadas.

E de como Nossa Senhora vestida de mendiga
Andava à noite nas estradas
Socorrendo as crianças maltratadas…

Se eu já não posso crer que isso é verdade,
Para que bate o luar na relva?”

Liebe

Esta palavra tão abusada – “lindo”: o que ela quer dizer? Ela quer dizer que a coisa a que damos o nome de “lindo” faz amor com a nossa alma. Quando dizemos que algo é lindo, estamos confessando como somos por dentro. As coisas são espelhos onde nos refletimos. (Rubem Alves)

Last rose of summer…

‘Tis the last rose of summer

Left blooming alone;
All her lovely companions
Are faded and gone;
No flower of her kindred,
No rosebud is nigh,
To reflect back her blushes,
To give sigh for sigh.

I’ll not leave thee, thou lone one!
To pine on the stem;
Since the lovely are sleeping,
Go, sleep thou with them.
Thus kindly I scatter,
Thy leaves o’er the bed,
Where thy mates of the garden
Lie scentless and dead.

So soon may I follow,
When friendships decay,
From Love’s shining circle
The gems drop away.
When true hearts lie withered
And fond ones are flown,
Oh! who would inhabit,
This bleak world alone?

The Last Rose of Summer is a poem by Irish poet Thomas Moore, who was a friend of Byron and Shelley. Moore wrote it in 1805 while at Jenkinstown Park in County Kilkenny, Ireland. Sir John Stevenson set the poem to its widely-known melody, and this was published in a collection of Moore’s work called Irish Melodies (1807-34).

Em homenagem ao Equinócio de Outono.

Eu só conheci esse poema por causa da gravação do Celtic Woman e a versão delas ficou linda. O poema em si é muito bonito e nada mais apropriado para o fim do verão. Citando o e-mail do pessoal do EcoRASA: “Em 2009 o Equinócio de Outono ocorre dia 20/03, para várias culturas, como a celta, é um dia especial relacionado ao descanso da colheita e comemoração, uma época de balanço, instrospecção e agradecimento aos Deuses por tudo o que foi colhido. Além disso temos no dia 21/03 o início do ano zodiacal, que em 2009 será regido pelo Sol, o astro que representa a luz, a vida e o calor. Simboliza o conhecimento, a busca de realizações, a capacidade criadora e a verdadeira individualidade”.

Uma ótima celebração a todos e início de outono!

O amor pela arte… Parte I

“O futuro espera-nos com os seus males, mas enquanto houver a lua e a música, e amor e romance, escute a música e dance”.
Irving Berlin, 1888-1989

Eu confesso. Tenho um problema sério com a arte, principalmente com a música. Meu blog provavelmente terá muitos posts sobre música, arte, beleza, além de reflexões peculiares de uma pessoa noiada que frequenta 1 psiquiatra, 1 psicanalista e 1 cantoterapeuta! Aliás, não é à toa que eu amo Rubem Alves, ele é psicanalista também (entende os loucos) e um grande amante da música.

Procurando as raízes dessa dependência à arte, que não consigo afastar, penso na família e nos astros. Posso até explicar pela numerologia e pelas vidas passadas. Mas é muito mais simples dizer que todo ser humano simplesmente precisa de arte. Como já disse o RTZA: “Os místicos e os apaixonados concordam em que o amor não tem razões. Angelus Silésius, místico medieval, disse que ele é como a rosa: “A rosa não tem “porquês”. Ela floresce porque floresce”.” É isso aí, a rosa floresce porque floresce. E eu amo música porque amo. Oras. E quem não ama?

A família

Meus pais têm alma de artista. E queria saber se meus antepassados também tinham! Até onde sei minha bisavó tocava shamisen e era dançarina (ou algo assim). Meu avô do Japão tocava violino. Meu pai canta muito bem, tem uma super presença de palco, ótimo em pintura (e tocava cavaquinho: tem uma foto dele no navio tocando, vindo do Japão para o Brasil). Minha mãe é muito boa em canto, desenho e dança tradicional japonesa. Minha sister do meio, mezzosoprano, canta muito bem, também boa em pintura em óleo. Minha outra sister, outra apaixonada pela música, tocou órgão, teclado, violino e violoncelo. 

Só agora vejo que as festas de família poderiam virar saraus bem divertidos!

Na Parte II eu conto os traumas de infância!

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Onde é que há gente nesse mundo?

Poema em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

(Álvaro de Campos)

 

Eu amo Fernando Pessoa. É difícil não gostar né… não precisa de muito. Alguns até mesmo não sabem que estão citando Fernando Pessoa… hehehe Como o meu amigo disse certa vez: “Como diz aquele velho provérbio chinês, tudo vale a pena se a alma não é pequena!”. Esse poema que eu coloquei eu já mandei para vários amigos e ele é muito significativo pra mim. Um professor de álgebra, uma graça, certa vez leu em aula, quando eu estava no colegial. Eu sempre lembro desse trecho… “Arre, estou farto de semideuses!” hehehe E eu fico cansada mesmo, várias vezes por dia. Tudo sempre é tão perfeito e tão falso, tão feliz e tão encenado, tão hipócrita e tosco… hehehe E olha que eu não estou mal humorada enquanto escrevo este post.

Eu achei que esse poema ia bem com o fim do meu blog e as minhas nóias. Sou mega-noiada e muitas vezes ingênua. Eu às vezes acredito que as pessoas são perfeitas e felizes mesmo!! Mas como diz o Rubem Alves (meu outro favorito, como já sabem): “As pessoas totalmente felizes não conseguem pensar pensamentos interessantes. É preciso uma pitada de dor para que o pensamento pense bonito”. Enfim, não desejo dor para ninguém, obviamente, mas sim que as pessoas saibam lidar com ela e perceber que ficam mais belas e com os olhos mais bonitos quando passam por certas coisas.