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O silêncio, as conclusões e as dúvidas

“I pull you from your tower, take away your pain, show you all the beauty you possess, if you’d only let yourself believe” -Sarah Mclachlan

“A true friend stabs you in the front.” – Oscar Wilde

Eu estou para escrever sobre a amizade há bastante tempo… mas confesso que o assunto pra mim é difícil. Primeiro, confesso alguns erros: tenho uma tendência a sumir do mundo e ninguém nem entende por que, talvez só os mais próximos. Outro erro: tenho medo de me machucar e tenho medo de invadir o espaço do outro. E sei, de que adianta tanto medo se nós estamos fadados a nos machucar a qualquer momento? Amar, viver, criar, tentar, tudo isso obviamente pode machucar sim e bem feio. Quanto ao medo de invadir, isso talvez seja uma característica nipônica. Os nipônicos costumam ser cheios de dedos e cerimônia. Crescemos aprendendo que é polido nunca invadir, nunca falar, nunca perguntar. Aprendemos a tirar conclusões e a deixar os outros tirarem conclusões a nosso respeito. O silêncio é algo bem nipônico…

Mas hoje também tenho a impressão de que o silêncio é simplesmente a fuga, a maneira mais fácil de sair de uma situação ou de uma relação. Às vezes seu amigo até tem algo para lhe falar, mas não vai falar porque não sabe como. Então, a saída mais cômoda é o silêncio. Seu amigo ficou puto com você, mas não tem coragem de te falar que  você errou. Então, silêncio. E fuga. E fim da relação. Prático, assim.

Eu confesso que já errei dessa maneira muitas vezes. Mas hoje entendo como as falhas de comunicação são péssimas e não ajudam em nada. Silêncio e falta de sinceridade não ajudam em nada. Hoje em dia realmente é raro encontrar pessoas que tenham coragem de falar as coisas diretamente, com uma transparência admirável. Parece que as pessoas se descartam com uma facilidade bizarra. Até porque, todos dizem, as pessoas não têm tempo a perder. Se você tem uma esposa, um namorado ou um grupinho de amigos para beber, pra que você vai gastar seu tempo com outras pessoas? Quantas pessoas vivem SÓ em função do namorado/namorada?

Se você está lendo esse texto e está levando para o lado pessoal, não leve. Meu post não é para uma pessoa X, Y ou Z, pois estou brava sim, mas é comigo e com um mundo de coisas. A minha idéia é dizer que a sinceridade é uma grande virtude. E eu admiro muito meus amigos do coração que têm a coragem de dizer verdades e têm a ousadia de se comunicar, sem receios.

Aí eu termino com uma das frases que eu mais gosto:

“It is one of the severest tests of friendship to tell your friend his faults. So to love a man that you cannot bear to see a stain upon him, and to speak painful truth through loving words, that is friendship”.(Henry Ward Beecher)

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Mais transições

“A paixão não é uma coisa que a gente possa encontrar saindo pelo mundo como um turista da vida (cf. Cristina). Pois não basta esbarrar na paixão; ainda é preciso encará-la quando ela se apresenta.” (Contardo Calligaris)

Olá, followers & friends! Ando meio ausente, mas creio que é porque estou em mais uma fase de transição e questionamento bizarro que me bloqueou um pouco. Mas questionamentos são sempre ótimos! Estou com mil idéias na cabeça e principalmente estou me sentindo mais livre. Weeeee! Estou gostando de tudo isso, mas o que eu tenho a dizer é só que a gente precisa relaxar mais na vida. Por exemplo, vão lá aproveitar o Spa Week. Ou, sei lá, vão num show ou concerto ouvir boa música (não dá pra dar a desculpa do $$, tem muita coisa gratuita). Relaaaaaaxe (como diria nosso amigo sumo). Desejo muita alegria e relaxamento pra vocês!

ps: agora, o que tem a ver essa citação acima com o post? bom, não dá tempo de explicar, montem vocês, aproveitem o que der.

Excesso

Sempre me senti isolado nessas reuniões sociais: o excesso de gente impede de ver as pessoas. (Mário Quintana)

Não tenho tido muitas idéias para posts, mas achei essa frase que uma amiga querida me mandou num ppt e achei que tinha tudo a ver com o que eu sinto. Eu adoraria me sentir ótima nessas festas gigantes e tumultuadas, cheeias de gente. Mas em geral eu me sinto estranha e adoro reuniões caseiras pequenas, com poucas pessoas, pouco barulho, mais proximidade, mais carinho, menos superficialidade. Quando há muita gente reunida, as pessoas usam mais máscara ou mudam de comportamento. Às vezes as pessoas se esforçam demais para aparecer e falar coisas superficiais. Tem o aspecto divertido, dá para dar muita risada, ouvir todo tipo de besteira e ver um lado bizarro das pessoas. Mas por outro lado, algumas pessoas nunca se mostram de verdade, você nunca consegue conhecê-las como elas são. E as pessoas ficam escondendo seus medos, seus sentimentos… Enfim, eu estou no meu período super metal, mas tenho que confessar que adoro estar num ambiente aconchegante com algumas pessoas próximas e abertas, sinceras, simples e muito queridas.

SuperMetal Peoplefobia

Uau, isso poderia ser o nome da minha banda de metal!! Quem conhece os 5 elementos chineses e as minhas loucuras deve entender o título desse post. Estou de férias e ando meio esquisita, muito metal, antecipando o inverno e a hibernação. E na verdade é um momento contraditório. Não, na verdade, eu sou super contraditória.

Eu tenho um amor enorme por artes, música, dança, diversão, palco e tudo mais. Deve ser o sol em libra, a lua em touro, o ascendente em sagitário e whatever. Mas ao mesmo tempo eu sou “totally metal”, tenho tendência a me recolher e ficar trancada no quarto, ouvindo música, lendo um livro, tudo que me faça estar longe da multidão. A pressão de ser perfeita, impecável me deixou meio maluca. A japonesice também me trouxe efeitos colaterais. As japonesinhas tradicionais devem ser ainda mais impecáveis, rir baixo, olhar para baixo, serem discretas e invisíveis.

Que coisa horrível… acho que é por isso que eu ando lendo Osho. As pessoas têm um mega preconceito dele, mas tenho que admitir que ele tem textos muito bons. Em alguns momentos me lembra a simplicidade e a beleza de Rubem Alves, em outros, o tal do poder o agora do Eckart Tolle. Enfim, é a sabedoria básica que nós todos deveríamos ter mas não estamos acostumados… Ser livre, ser simples, ter coragem de ser qualquer coisa, viver o momento, viver a eternidade, não ter preconceitos e frescuras, não ter apego, não usar máscaras. A gente sabe o que deveria fazer, mas vive fazendo o que não deve.

Enxergar as coisas como elas são…

Em vez de brigar com o escuro, você traz a luz. Em vez de reagir a uma desilusão, você vê a desilusão, mas, ao mesmo tempo, enxerga através dela. Ser o saber cria um espaço nítido de presença amorosa que permite a todas as coisas e pessoas serem como são (Eckart Tolle).

As férias estão me fazendo bem! A gripe continua, mas estou podendo ler, jogar bejeweled, brincar com sobrinho, gato, enrolar, dormir, cozinhar coisas estranhas, ouvir música… tá tudo muito bom.

Não estou muito inspirada para escrever, mas a mensagem do dia é de novo a história de que as coisas simplesmente são o que são. Por que será que a gente procura tanto idealizar as coisas, pessoas e situações? Por que tem que existir um exemplo, um mestre, um professor perfeito, um pai perfeito, um herói, uma tradição mágica, uma coisa tão bonita? Por que não simplesmente aceitamos as pessoas como são: humanas, cheias de defeitos, sujas, caolhas, egoístas e frágeis? Nós somos lotados de defeitos e ainda assim nos suportamos e nos achamos importantes. Então vamos deixar de idealizar tudo e todos e enxergar as coisas como elas realmente são…

Hoje vejo como ser descendente de japoneses traz 500 efeitos colaterais e o dobro de tempo de psicanálise. Fico boba com a minha ingenuidade e incapacidade de enxergar o óbvio. Disciplina exagerada, tradição seguida à risca, gratidão e respeito incondicional aos mais velhos… tudo isso é muito bonito para quem está de fora. Quem colapsa são os orientais louquinhos.

Afe, estou sem saber o que falar, mas enfim, chega de tomar na cabeça… (ao menos em relação aos japoneses loucos). Um dia eu paro para falar na beleza da imperfeição. Amar de verdade é amar a beleza da imperfeição. Mas hoje estou falando só de enxergar a feiúra da imperfeição e o fim da idealização.

Semideuses (parte II daquele post)

“Álvaro de Campos tem um verso que diz mais ou menos assim: “Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim”. Intervalo, um espaço indefinido onde a minha verdade se perdeu, enfeitiçada pelo pedido dos outros. Os outros pedem que não sejamos o que somos; que sejamos só o que eles desejam. E ficamos sem rosto. Só máscaras. Cebolas sem cerne, só casca. O Diabo nos coloca entre o martelo e a bigorna e vai nos forçando a tomar decisões. Pode ser que, ao final, tenhamos a experiência suprema de horror. Quando, diante do espelho, não vemos rosto algum, apenas os rostos de outros. Acho que é por isto que todo mundo fala mal do Diabo: porque, além de ser ferreiro de martelo e bigorna, é também especialista em beleza, com espelho na mão. E o reflexo no espelho dói mais que o martelo na bigorna” (Rubem Alves)

 

tira5

Onde é que há gente nesse mundo?

Poema em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

(Álvaro de Campos)

 

Eu amo Fernando Pessoa. É difícil não gostar né… não precisa de muito. Alguns até mesmo não sabem que estão citando Fernando Pessoa… hehehe Como o meu amigo disse certa vez: “Como diz aquele velho provérbio chinês, tudo vale a pena se a alma não é pequena!”. Esse poema que eu coloquei eu já mandei para vários amigos e ele é muito significativo pra mim. Um professor de álgebra, uma graça, certa vez leu em aula, quando eu estava no colegial. Eu sempre lembro desse trecho… “Arre, estou farto de semideuses!” hehehe E eu fico cansada mesmo, várias vezes por dia. Tudo sempre é tão perfeito e tão falso, tão feliz e tão encenado, tão hipócrita e tosco… hehehe E olha que eu não estou mal humorada enquanto escrevo este post.

Eu achei que esse poema ia bem com o fim do meu blog e as minhas nóias. Sou mega-noiada e muitas vezes ingênua. Eu às vezes acredito que as pessoas são perfeitas e felizes mesmo!! Mas como diz o Rubem Alves (meu outro favorito, como já sabem): “As pessoas totalmente felizes não conseguem pensar pensamentos interessantes. É preciso uma pitada de dor para que o pensamento pense bonito”. Enfim, não desejo dor para ninguém, obviamente, mas sim que as pessoas saibam lidar com ela e perceber que ficam mais belas e com os olhos mais bonitos quando passam por certas coisas.