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Como os memes e a polarização nos deixaram mais intolerantes

O que está acontecendo com o Braseeel? Estamos mais loucos, divididos igual torcida de futebol, intolerantes. Até tentar ser da paz irrita as pessoas.

Eu sou a favor da bandeira branca. Sou a favor de fazer análises sob um ponto de vista mais global, mais humano, mais coletivo, mais isento. E não se irritem com isso.

Tenho a impressão de que nossas neuroses estão ficando fora do controle. Estamos exaustos. Estressados. Desacreditados. Insatisfeitos. E, principalmente, estamos sendo facilmente influenciados (inconscientemente ou não) pelos memes dos amigos/inimigos, pelas imagens, pelas provocações dos “inimigos”, pelos espetáculos partidarizados da mídia e dozamigos.

Hoje nos irritamos mais. Está difícil não se revoltar com um meme mentiroso/agressivo. Está difícil não se irritar ao ouvir: “VACAA”, “LADRÃAO”, “MENTIROSO”, “BURRO”.

Não estou defendendo que todos sejamos mortos, apáticos, sem ação. Estou defendendo que estamos gastando nossas energias do jeito errado. E não estamos percebendo que nossa revolta só está atendendo aos interesses daqueles que querem zoar o barraco. Povo dividido é muito mais fácil de manipular.

O mundo é movido pelas palavras e atitudes que colocamos para fora. Ou seja, tudo que falamos, postamos e mostramos muda o que está em nosso redor. Somos influenciados pela energia do outro. Você não vai transformar um tucano em um petista ou um petista em um tucano. Mas você passou a bola pro seu amigo. Passou sua energia de revolta pros coleguinhas e amigos. O nervosismo de um passa para o outro, que passa para o outro, daí até os filhos sofrem com o nervosismo dos pais, até o cachorro sente a vibe pesada. Percebe? Por que alimentar o negativismo?

Os problemas do mundo não estão na política. A política é apenas um aspecto e é um reflexo da humanidade. O problema é humano. Todos os problemas do mundo estão dentro de cada pessoa. Sei que esse tipo de papo soa clichê para as pessoas, mas é algo tão óbvio que não devia ser ignorado. Reflita:

“Vocês, que tanto pedem por mudanças, (…) ainda não compreenderam que todas as vezes que despejam a resolução de seus problemas nas mãos de outros, estão a entregar o seu Poder Pessoal, perdem a automaestria e ficam à mercê do mundo externo.

As mudanças que buscam não estão nas mãos dos vencedores ou perdedores das suas eleições. Saiam das ilusões. 

Não existem salvadores. 
Vocês devem fazer a parte que lhes cabe. O seu mundo está em suas mãos.

Assumam o comando de si mesmos e de suas vidas pessoais, em primeiro lugar. Assumam suas responsabilidades no que se refere ao estado em que se encontra a sua realidade. Seus políticos não são os únicos responsáveis. Vocês todos são os coadjuvantes”.

“Ok, então o que você sugere?”

Ah, algumas ideias…

(1º) Evite tirar conclusões sobre o que os outros pensam/dizem. Hoje está fácil se irritar com o que as pessoas falam/postam. Que tal dar o benefício da dúvida? Muitos conflitos surgem por causa de nossa interpretação e não daquilo que a pessoa quis dizer. Você NUNCA vai saber o que realmente se passa na cabeça da outra pessoa. Então, não perca tempo e energia tentando agredi-la ou mudar sua opinião ou mesmo entender sua opinião (que parece estranha). Deixe passar. Desapegue.

(2º) Evite repassar mensagens engraçadinhas que só incentivam a polarização/a revolta. O que parece engraçado para você pode na verdade: (a) ser mentira; (b) ser ofensivo demais; (c) gerar mais conflitos e ódio.

(3º) Evite idealizar ou demonizar um lado ou os dois lados. Cuidado com extremos. Não existem santos nem capetas. Sério. Ninguém é perfeito. Cuidado com opiniões apaixonadas ou cheias de ódio sobre qualquer pessoa. Ninguém é obrigado a gostar ou desgostar das pessoas/instituições que você gosta. Infelizmente as pessoas admiram aspectos diferentes e você não vai mudar isso nos outros. Além disso, quanto mais idealizamos alguém, maior a chance de quebrarmos a cara, porque todos erram. E quanto a demonizar alguém: sério, por que perder energia odiando alguém? (fale sobre isso na terapia ou tome uma cerveja)

(4º) Repasse ideias/palavras construtivas. Propague sugestões úteis (ao invés de só reclamar). Reclamar é fácil. Mas ao invés de xingar os outros e criticar, que tal mostrar aquilo que você gostaria de ver sendo construído/apoiado? Que tal usar seu tempo refletindo, criando novas ideias para MELHORAR AS COISAS? Se for para criticar, use a crítica de forma pontual, positiva, assertiva.

(5º) Evite levar as coisas para o lado pessoal. Esse meme não é contra você! Nem tudo que as pessoas postam é para te provocar ou ofender suas convicções, paixões, ideais, família. Os xingamentos e piadinhas não são para ofender você ou seus queridos. O ódio alheio é apenas desabafo, vazamento das neuroses pessoais, descontentamentos que todos nós temos. Todos. Não tem nada a ver com você.

(6º) Tente enxergar que estamos todos no mesmo barco e que disputas enfraquecem todos os lados. Sei que é difícil, mas tente entender o lado do “outro”. Ele pode pensar totalmente diferente de você, mas aposto que em algum aspecto vocês concordam e podem se apoiar. Aposto que ele também tem um familiar doente. Ele também já ficou desempregado ou viu alguém que ama morrer. Todos somos humanos e ninguém sabe qual é o inferno que o outro passa. Vamos ser menos raivosos e vingativos, isso só alimenta nosso próprio sofrimento.

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the devil inside e o que você deixou de viver

“The word devil is very beautiful, if you read it backwards it becomes lived. That which is lived becomes divine and that which is not lived becomes the devil” (Osho)

[Tradução: a palavra ‘devil’ (diabo) é muito bonita, pois se você ler de trás para frente, vai ter ‘lived‘ (vivido). Assim, aquilo que foi vivido torna-se divino e aquilo que não foi vivido torna-se diabólico“]

“Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons” (Freud)

“O que não enfrentamos em nós mesmos, encontraremos como destino” (C.G. Jung)

Acho essa frase do Osho muito boa. E ela sempre vem na minha cabeça. Tudo que você deixou de viver ou reprimiu realmente vai vir te assombrar em algum momento. Todo lado sombrio que está dentro de qualquer ser humano precisa ser conhecido, aceito e trabalhado. Tenho muita inveja das pessoas normais que foram aqueles adolescentes/jovens demônios chatos pra caramba, que batiam nas outras crianças, faziam bullying nos CDFs e gordinhos, queimavam patrimônio público, quebravam o vidro do vizinho, infernizavam o porteiro, fumavam maconha e bebiam até entrar em coma alcoolico, brigavam com os pais direto, contestavam a escola, os professores e os amigos.  Essas pessoas tornaram-se adultos mais saudáveis. Não precisam ter feito tudo isso, mas alguma parte disso já pode ter sido positivo. Saudáveis também aquelas pessoas que viveram meses ou anos na balada, pegando geral, traindo as namoradas ou namorados, se envolvendo em brigas, vomitando nos amigos, sendo expulso de festas, bares, parques. Saudáveis.

Um dia um moleque baladeiro aspirante a músico que conheci me falou (lá pelos meus 32 anos de idade, não faz tempo) que eu era uma pobre coitada, pois não tinha vivido nada na vida. Quando ouvi aquilo fiquei revoltada, porque pensei “Como assim? eu estudei, fiz faculdade, fiz mestrado, falo várias línguas, viajei um pouco. Como assim não vivi nada?”. Me revoltei mas na verdade ele tinha certa razão. De que valeu eu fazer uma faculdade que eu não gostei, um mestrado que na prática não serviu de nada, línguas que não uso? Para trabalhar infeliz, ficar depressiva, e depois desempregada, cheia de conflitos internos e agressividade descontrolada. Gastei toda minha adolescência e juventude fazendo aquilo que a sociedade e a família me ensinaram que era correto. Engoli seco todo bullying, pancadaria, gritos, críticas. E acabei deixando de pôr pra fora os sentimentos negativos e viver coisas que faziam parte da normalidade da adolescência/juventude.

Mas também, não sei o que eu queria. Eu queria por acaso que na escola houvesse matérias chamadas “por que é legal você ser um adolescente rebelde” ou “seja malvado e seja mais feliz”, “mergulhe na sombra com prazer”? Eu queria talvez que a cultura japonesa fosse menos repressiva, rígida e intolerante. Sim, isso eu queria.

Bom, o fato é que ninguém tem como entender o que se passa na vida alheia. Ninguém tem como entender os sentimentos – sombrios ou não, agressivos ou não – de outras pessoas, sejam elas familiares, maridos etc. Cada um tem sua mente louca e cheia de coisas vividas ou não vividas, sentimentos vividos ou reprimidos, vontades entendidas ou ignoradas, desejos sombrios ou bonitos. O sombrio ninguém nunca quer falar. Mamãe ensinou que não pode. A tia ensinou que não posso ser uma má menina. Papai disse que se eu for bonzinho vou ganhar um carrinho. A gente é adestrado a ser um bom animal-ser-humano, controlado, castrado, exemplar. Se você tem raiva ou desejos de morte ou de maldade, você tem problemas – óh! não vamos falar sobre isso. Isso, aqui me veio quele filme “precisamos falar sobre Kevin”.

Tá certo que tem gente que vive no lado sombrio 99% do tempo e daí já acho que também tem algo de errado. E também tem pessoas que viraram psicóticas, ok. Vide Norman Bates, menino psicótico que foi castrado, reprimido, controlado e manipulado pela mãe-neurótica-sofrida-apegada-manipuladora-louca. Aquela história de que tudo deve ter um equilíbrio ainda é verdade…  Só pensar no tao, no ying e yang… que é muito mais do que um símbolo para tatuar no braço ou pendurar no pescoço. É o que descreve aquilo que precisamos lembrar sempre: na natureza sempre temos essas forças opostas e complementares, que são interdependentes e totalmente conectadas. A luz e a sombra, o fogo e a água, o branco e o preto. Elas se completam e se equilibram. Uma não existe sem a outra e uma está dentro da outra.

E você, está consciente da sua luz e da sua sombra?

its-life

 

 

SuperMetal Peoplefobia

Uau, isso poderia ser o nome da minha banda de metal!! Quem conhece os 5 elementos chineses e as minhas loucuras deve entender o título desse post. Estou de férias e ando meio esquisita, muito metal, antecipando o inverno e a hibernação. E na verdade é um momento contraditório. Não, na verdade, eu sou super contraditória.

Eu tenho um amor enorme por artes, música, dança, diversão, palco e tudo mais. Deve ser o sol em libra, a lua em touro, o ascendente em sagitário e whatever. Mas ao mesmo tempo eu sou “totally metal”, tenho tendência a me recolher e ficar trancada no quarto, ouvindo música, lendo um livro, tudo que me faça estar longe da multidão. A pressão de ser perfeita, impecável me deixou meio maluca. A japonesice também me trouxe efeitos colaterais. As japonesinhas tradicionais devem ser ainda mais impecáveis, rir baixo, olhar para baixo, serem discretas e invisíveis.

Que coisa horrível… acho que é por isso que eu ando lendo Osho. As pessoas têm um mega preconceito dele, mas tenho que admitir que ele tem textos muito bons. Em alguns momentos me lembra a simplicidade e a beleza de Rubem Alves, em outros, o tal do poder o agora do Eckart Tolle. Enfim, é a sabedoria básica que nós todos deveríamos ter mas não estamos acostumados… Ser livre, ser simples, ter coragem de ser qualquer coisa, viver o momento, viver a eternidade, não ter preconceitos e frescuras, não ter apego, não usar máscaras. A gente sabe o que deveria fazer, mas vive fazendo o que não deve.