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O Reflexo que Dói

“Álvaro de Campos tem um verso que diz mais ou menos assim: “Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim”. Intervalo, um espaço indefinido onde a minha verdade se perdeu, enfeitiçada pelo pedido dos outros. Os outros pedem que não sejamos o que somos; que sejamos só o que eles desejam. E ficamos sem rosto. Só máscaras. Cebolas sem cerne, só casca. O Diabo nos coloca entre o martelo e a bigorna e vai nos forçando a tomar decisões. Pode ser que, ao final, tenhamos a experiência suprema de horror. Quando, diante do espelho, não vemos rosto algum, apenas os rostos de outros. Acho que é por isto que todo mundo fala mal do Diabo: porque, além de ser ferreiro de martelo e bigorna, é também especialista em beleza, com espelho na mão. E o reflexo no espelho dói mais que o martelo na bigorna” (Rubem Alves)

Interferência

Eu estou um pouco brava, mas vou tentar ser mais neutra… hehehe

Uma coisa que nós fazemos o tempo inteiro, principalmente as pessoas mais velhas, é interferir na vida alheia achando que estamos fazendo bem para as pessoas. Quando gostamos de alguém, queremos dar conselhos, indicar caminhos, orientar, dar palpite. Tudo para o bem da pessoa. Mas qual será o bem em ficar tentando adivinhar o que é melhor para os outros? Será que não somos nós mesmos que sabemos sobre nossas próprias vidas? Será que alguém entende melhor que você o que você está passando ou sentindo? Será que alguém te conhece melhor do que você mesmo se conhece?

E mesmo que os outros saibam mais do que você mesmo sabe, será que é saudável ficar interferindo e impedindo as pessoas de crescerem e tomarem decisões sozinhas?

É preciso tomar muito cuidado com os conselhos que damos e recebemos. Por mais que venha das pessoas que você mais ama  e confia no mundo, essas pessoas não são você, essas pessoas muitas vezes se baseiam unicamente na experiência de vida que tiveram. E a situação de cada um é singular. Saber respeitar a singularidade de cada um é essencial.

Não importa se é sua mãe, seu analista, seu amigo de infância, sua avó, seu mestre, professor, orientador espiritual, pajé etc. A intenção sempre é boa, mas você sabe o que você tem que fazer.

E não adianta ficar angustiado com as decisões e atitudes alheias. Esteja por perto, mas não fique tentando forçar coisas que só a outra pessoa pode realizar.

SuperMetal Peoplefobia

Uau, isso poderia ser o nome da minha banda de metal!! Quem conhece os 5 elementos chineses e as minhas loucuras deve entender o título desse post. Estou de férias e ando meio esquisita, muito metal, antecipando o inverno e a hibernação. E na verdade é um momento contraditório. Não, na verdade, eu sou super contraditória.

Eu tenho um amor enorme por artes, música, dança, diversão, palco e tudo mais. Deve ser o sol em libra, a lua em touro, o ascendente em sagitário e whatever. Mas ao mesmo tempo eu sou “totally metal”, tenho tendência a me recolher e ficar trancada no quarto, ouvindo música, lendo um livro, tudo que me faça estar longe da multidão. A pressão de ser perfeita, impecável me deixou meio maluca. A japonesice também me trouxe efeitos colaterais. As japonesinhas tradicionais devem ser ainda mais impecáveis, rir baixo, olhar para baixo, serem discretas e invisíveis.

Que coisa horrível… acho que é por isso que eu ando lendo Osho. As pessoas têm um mega preconceito dele, mas tenho que admitir que ele tem textos muito bons. Em alguns momentos me lembra a simplicidade e a beleza de Rubem Alves, em outros, o tal do poder o agora do Eckart Tolle. Enfim, é a sabedoria básica que nós todos deveríamos ter mas não estamos acostumados… Ser livre, ser simples, ter coragem de ser qualquer coisa, viver o momento, viver a eternidade, não ter preconceitos e frescuras, não ter apego, não usar máscaras. A gente sabe o que deveria fazer, mas vive fazendo o que não deve.