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As coisas são como são…

The mind questions the whole life long and never receives any answer, and the heart never asks but receives the answer. OSHO

Faz tempo que não escrevo alguma viagenzinha né? Mas hoje fiquei com vontade. E a única idéia que está me martelando agora é que a gente precisa aprender a deixar as coisas serem como são, as pessoas serem como são. Não é questão de fazer apologia ao conformismo, comodismo e passividade. É questão de aprender a aceitar a vida, os fatos e  as pessoas do jeito que elas aparecem. Por que a gente quer mudar tudo? Por que as pessoas querem que o namorado volte, que a mãe mude, que os filhos sejam diferentes, que o emprego seja exatamente de um jeito x, que seu chefe seja y, que seus amigos sejam perfeitos? Por que criar 1000 expectativas em cima de todo mundo e tudo? Por que o apego a uma situação anterior, uma namorada anterior, um emprego anterior? Por que não deixar as coisas e pessoas simplesmente irem embora quando precisam ir? É, desapego, desapego, impermanência….

O desapego está, acho, em saber aceitar as situações novas, por mais bizarras ou indesejadas que sejam. O desapego está, é, eu acho, também em deixar pessoas irem embora… seja aceitando o fim de um relacionamento, de uma amizade, a distância, a morte (ou transição… como diriam alguns).

Eu ainda não aceito muitas coisas. Mas vamos lá né, vamos criar serenidade e muito esforço para mudar. As coisas são como são, oras, deixe-as em paz.

Escuta: eu te deixo ser, deixa-me ser então ~Clarice Lispector


You don’t need it now… don’t need it now

“Não possuir algumas das coisas que desejamos é parte indispensável da felicidade”. (Bertrand Russell)

“I’m designed to feel slightly dissatisfied!” (Jesse)

Bom, o pensamento da semana é esse aí, em relação ao nosso estado eternamente insatisfeito.  Assisti finalmente o “Before Sunset”, que eu queria tanto ver e gostei bem mais desse do que do “Before Sunrise”. Na verdade, gosto de coisas diferentes nos dois filmes, eu prefiro ignorar as coisas ruins e sentir as coisas legais que dá pra sentir nos filmes. Mas o que ficou na cabeça foi essa frase do Jesse, porque eu me sinto assim sempre. Eu vivo reclamando de tudo e querendo sempre mais! Nunca fico satisfeita. Por um lado é muito bom estar sempre correndo atrás de algo, mas o problema é viver resmungando e não saber valorizar as trilhões de coisas que nós já temos e já somos. Daí vem o conceito de gratidão, humildade e o que o Bono Vox fala na música “Beautiful Day”: “What you don’t have you don’t need it now… don’t need it now… It’s a beautiful day!”. Essa música é muito boa, fala tudo. E essa frase conecta direto com aquela outra “LIFE ISN’T ABOUT WAITING FOR THE STORM TO PASS, IT’S ABOUT LEARNING TO DANCE IN THE RAIN”. Não importa que não temos tudo que queremos agora. Nem adianta ficar esperando alguma coisa chegar ou passar ou melhorar. Conclusão, “Do what you can, where you are with what you have.” (Roosevelt)



Fale mal…

“Give so much time to the improvement of yourself that you have no time to criticize others”. (Christian Larson)

Hoje vou escrever de algo que vem me incomodando profundamente. Já que me incomoda tanto melhor pôr pra fora né? Eu tenho uma tendência a me incomodar muito quando vejo pessoas falando mal ou com raiva de outras pessoas ou coisas. Mas no geral o “falar mal” feito de maneira leve, irônica ou bem humorada não me incomodam. Afinal, existem maneiras e maneiras para se expressar uma opinião. O que mais me incomoda é quando as pessoas destilam veneno, falam das pessoas/coisas com desprezo, com nojo, raiva, sem respeito, com agressividade. De modo geral a agressividade gratuita me irrita muito.

Eu sempre tive uma admiração muito grande por pessoas que conseguem manter um diálogo sem criticar de maneira destrutiva ou sem falar mal de qualquer coisa num certo espaço de tempo. Existem pessoas que são pura positividade e leveza: conseguem ser engraçadas, criativas e divertidas sem destruir agressivamente nada, sem ter que se sentir superior a nada. E mesmo quando brincam com o defeito ou erro de outra pessoa, é quando a pessoa está presente e tudo é levado no bom humor. Afinal, a gente tem mais é que rir de tudo…

Acho que na verdade o “falar mal” às vezes cria uma atmosfera esquisita, ruim. A maioria das pessoas acha besteira, mas eu me sinto mal. E sim, isso é um defeito meu, porque eu não tenho que ser influenciada pelo veneno alheio. Mas que a energia fica péssima, isso fica. Eu preciso aprender a parar de absorver as coisas de fora, tendência do mal essa.

Mas, enfim, as pessoas vão dizer que quando alguém fala alguma coisa está falando de si mesma blá, blá, blá. Acho que pode ser sim! Afinal a gente só destila coisas ruins para fora se no nosso interior as coisas estão sujas e feias. Quem tem caca nos olhos, só vê o mundo cacado. Quem tem beleza nos olhos, só vê a beleza do mundo. Quando você está com raiva de si mesmo, fica com raiva de todo mundo.

“O que vemos não é o que vemos, senão o que somos” (R. Alves).

Então, é isso, deixa eu parar de falar mal das pessoas que falam mal! Eu só desejo que o mundo seja mais leve e agradável. Dizem os astrólogos que os librianos têm esse problema, eles gostam das coisas bonitas e detestam coisas de mau gosto, feias e desagradáveis. Mas é só uma questão de bom senso. Abaixo vai um trecho de um preceito budista (acho que é zen), para completar. Desejo boas palavras para todo mundo.

6. Eu decido não falar sobre as falhas de outros, mas sim ser compreensivo e solidário.

Este preceito deriva de nossos esforços para construir harmonia social e compreensão mútua. Declarações falsas e maliciosas, por sua própria natureza, são atos de alienação que originam-se de uma percepção ilusória de oposição entre “eu” e “outros”. Geralmente a injúria traz como conseqüências a dor para os outros, e a fragmentação para a Sangha. Quando surgir a intenção de injuriar, esforçar-se para compreender as raízes deste impulso já uma expressão deste preceito. E mesmo quando uma afirmação difamatória é consistente com os fatos, aqueles que se engajarem em criticismo gratuito podem ser feridos pela influência negativa que resulta do ato de falar de forma insistente nas falhas de outras pessoas.


Winter Blues

Because the sky is blue, it makes me cry…

Às vezes acho bom postar mesmo a realidade e desencanar do que o mundo bizarro e os preconceitos vão pensar. Aliás, prefiro escrever como estou mesmo e parar de fingir que estou só saltitando de felicidade para que meus amigos também entendam que às vezes eu sumo ou tenho comportamentos suspeitos apenas porque não estou tão bem e preciso de um pouco de recolhimento. Todo mundo tem suas fases, a diferença é que a gente sempre se esconde atrás do que pode. No orkut, flickr ou coisas assim, a gente só vê fotos de pessoas felizes, casando, se formando, se embebedando etc. Tentamos sempre mostrar só o lado mais bonito. Talvez seja para deixar o mundo mais bonito, mas também às vezes para nos escondermos.

O engraçado é que no twitter é o contrário, uma grande tendência é reclamar e desabafar, nem sempre ficar dando só notícias bonitas.

E é ótimo que exista um pouco de tudo. Obviamente eu não concordo com aqueles exageros de tristeza, agressividade, sujeira, falta de ética, exposição excessiva de coisas absurdas. Mas eu sou totalmente a favor da sinceridade das pessoas, que sabem se mostrar da forma que desejam, sem ferir ninguém, sem ferir a si mesmo, sem mentir, simplesmente mostrando um pouco de humanidade. Desabafar é bom mesmo. Sei lá, viva os desabafos e as verdades. E viva o mundo bonito, do jeito que ele é.

Interferência

Eu estou um pouco brava, mas vou tentar ser mais neutra… hehehe

Uma coisa que nós fazemos o tempo inteiro, principalmente as pessoas mais velhas, é interferir na vida alheia achando que estamos fazendo bem para as pessoas. Quando gostamos de alguém, queremos dar conselhos, indicar caminhos, orientar, dar palpite. Tudo para o bem da pessoa. Mas qual será o bem em ficar tentando adivinhar o que é melhor para os outros? Será que não somos nós mesmos que sabemos sobre nossas próprias vidas? Será que alguém entende melhor que você o que você está passando ou sentindo? Será que alguém te conhece melhor do que você mesmo se conhece?

E mesmo que os outros saibam mais do que você mesmo sabe, será que é saudável ficar interferindo e impedindo as pessoas de crescerem e tomarem decisões sozinhas?

É preciso tomar muito cuidado com os conselhos que damos e recebemos. Por mais que venha das pessoas que você mais ama  e confia no mundo, essas pessoas não são você, essas pessoas muitas vezes se baseiam unicamente na experiência de vida que tiveram. E a situação de cada um é singular. Saber respeitar a singularidade de cada um é essencial.

Não importa se é sua mãe, seu analista, seu amigo de infância, sua avó, seu mestre, professor, orientador espiritual, pajé etc. A intenção sempre é boa, mas você sabe o que você tem que fazer.

E não adianta ficar angustiado com as decisões e atitudes alheias. Esteja por perto, mas não fique tentando forçar coisas que só a outra pessoa pode realizar.