Tag: família

Excesso

Sempre me senti isolado nessas reuniões sociais: o excesso de gente impede de ver as pessoas. (Mário Quintana)

Não tenho tido muitas idéias para posts, mas achei essa frase que uma amiga querida me mandou num ppt e achei que tinha tudo a ver com o que eu sinto. Eu adoraria me sentir ótima nessas festas gigantes e tumultuadas, cheeias de gente. Mas em geral eu me sinto estranha e adoro reuniões caseiras pequenas, com poucas pessoas, pouco barulho, mais proximidade, mais carinho, menos superficialidade. Quando há muita gente reunida, as pessoas usam mais máscara ou mudam de comportamento. Às vezes as pessoas se esforçam demais para aparecer e falar coisas superficiais. Tem o aspecto divertido, dá para dar muita risada, ouvir todo tipo de besteira e ver um lado bizarro das pessoas. Mas por outro lado, algumas pessoas nunca se mostram de verdade, você nunca consegue conhecê-las como elas são. E as pessoas ficam escondendo seus medos, seus sentimentos… Enfim, eu estou no meu período super metal, mas tenho que confessar que adoro estar num ambiente aconchegante com algumas pessoas próximas e abertas, sinceras, simples e muito queridas.

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Sedentarismo Parte I

Férias combina com preguiça, sofá, chocolates e travesseiro. E eu, que sou uma grande pecadora quando se trata de “gula” e “preguiça”, tenho sido tomada como nunca pelos pecados nessas férias. Ok, vocês devem estar me imaginando gorda e esparramada na cama escrevendo este post, mas ainda não cheguei nesse ponto. Então resolvi divagar um pouco sobre os esportes e o sedentarismo.

Começando pelo histórico familiar, incrivelmente meus pais foram muito bons em esportes. Meu pai era atleta profissional de halterofilismo, campeão panamericano, mundial, chiquérrimo, forte, garoto propaganda e tudo mais. Engraçado pensar nisso. Minha mãe, pelo que fiquei sabendo, também era muito boa em esportes, vôlei, atletismo… acho que ela só não era profissional quase indo para as olimpíadas, como meu pai.

Eis que o casal atleta teve três lindas filhinhas. Mas a decepção foi grande quando eles viram pela primeira vez minha irmã chegando em último lugar no undokai da escolinha. Eles pensaram: “bem, elas não puxaram a gente”.

E foi exatamente o que as menininhas acreditaram. As três eram aquelas alunas que ficavam por último na hora de escolher time na educação física. Uma tristeza. Minha irmã, se não me engano, chegou a ficar de recuperação em educação física! Alguém já viu isso?

Comecei a fazer algum esporte só na faculdade. Era naturalmente péssima em tudo, mas como eu tinha sangue japonês me chamaram para fazer parte do inexistente time de softball da faculdade. Eu topei, afinal a farra era boa, os jogos de beisebol eram divertidíssimos. Mas acabei tomando muito gosto pela coisa. Foi paixão mesmo. E eu era péssima! Levava bolada na cara, corria pro lado errado, fazia as coisas mais ridículas e ainda era zoada pelo técnico. Mesmo assim ganhei um trofeuzinho da sanfran por causa da dedicação toda que eu tinha. Depois de um tempo acabei abandonando, mas por motivos nada esportivos. Confesso que até hoje gosto e lembro com gosto dos momentos no campo, treinos longos, treinos à noite… Acho que quando for velhinha e morar no Canadá eu vou jogar de novo.

Na parte II eu falo das outras tentativas anti-sedentarismo.

Semideuses (parte II daquele post)

“Álvaro de Campos tem um verso que diz mais ou menos assim: “Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim”. Intervalo, um espaço indefinido onde a minha verdade se perdeu, enfeitiçada pelo pedido dos outros. Os outros pedem que não sejamos o que somos; que sejamos só o que eles desejam. E ficamos sem rosto. Só máscaras. Cebolas sem cerne, só casca. O Diabo nos coloca entre o martelo e a bigorna e vai nos forçando a tomar decisões. Pode ser que, ao final, tenhamos a experiência suprema de horror. Quando, diante do espelho, não vemos rosto algum, apenas os rostos de outros. Acho que é por isto que todo mundo fala mal do Diabo: porque, além de ser ferreiro de martelo e bigorna, é também especialista em beleza, com espelho na mão. E o reflexo no espelho dói mais que o martelo na bigorna” (Rubem Alves)

 

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O amor pela arte… Parte I

“O futuro espera-nos com os seus males, mas enquanto houver a lua e a música, e amor e romance, escute a música e dance”.
Irving Berlin, 1888-1989

Eu confesso. Tenho um problema sério com a arte, principalmente com a música. Meu blog provavelmente terá muitos posts sobre música, arte, beleza, além de reflexões peculiares de uma pessoa noiada que frequenta 1 psiquiatra, 1 psicanalista e 1 cantoterapeuta! Aliás, não é à toa que eu amo Rubem Alves, ele é psicanalista também (entende os loucos) e um grande amante da música.

Procurando as raízes dessa dependência à arte, que não consigo afastar, penso na família e nos astros. Posso até explicar pela numerologia e pelas vidas passadas. Mas é muito mais simples dizer que todo ser humano simplesmente precisa de arte. Como já disse o RTZA: “Os místicos e os apaixonados concordam em que o amor não tem razões. Angelus Silésius, místico medieval, disse que ele é como a rosa: “A rosa não tem “porquês”. Ela floresce porque floresce”.” É isso aí, a rosa floresce porque floresce. E eu amo música porque amo. Oras. E quem não ama?

A família

Meus pais têm alma de artista. E queria saber se meus antepassados também tinham! Até onde sei minha bisavó tocava shamisen e era dançarina (ou algo assim). Meu avô do Japão tocava violino. Meu pai canta muito bem, tem uma super presença de palco, ótimo em pintura (e tocava cavaquinho: tem uma foto dele no navio tocando, vindo do Japão para o Brasil). Minha mãe é muito boa em canto, desenho e dança tradicional japonesa. Minha sister do meio, mezzosoprano, canta muito bem, também boa em pintura em óleo. Minha outra sister, outra apaixonada pela música, tocou órgão, teclado, violino e violoncelo. 

Só agora vejo que as festas de família poderiam virar saraus bem divertidos!

Na Parte II eu conto os traumas de infância!

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