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Suicídio: precisamos falar sobre o assunto

Todo mundo conhece um caso de suicídio ou tentativa de suicídio ao seu redor: pode ser na família, na família da esposa, no trabalho, no condomínio onde mora. Acontece bastante, infelizmente, e poucas pessoas sentem-se à vontade para falar sobre isso ou mesmo reconhecer que isso existe. É o típico “tema que não se deve tocar”. E muitas pessoas quando resolvem tocar no assunto não compreendem bem a delicadeza e o cuidado que o tema deveria receber ao ser abordado. Veja abaixo alguns cuidados:

1) Evite fazer piadas sobre o assunto. Embora as redes sociais estejam cheias de piadas e comentários diversos, evite tratar de forma pouco séria um assunto que causa tanta tristeza e transtorno aos familiares dos suicidas.

2) Não tenha medo de falar sobre o assunto. Aquela sua tia distante se suicidou há alguns anos mas você tem vergonha/medo de tocar no assunto. Não tenha. Trate o assunto de forma séria e humana e fale sim sobre ele. Todos passam por alguma situação parecida, não é “pecado” ou “crime” falar sobre isso ou reconhecer que existe o suicídio. Se mais pessoas falassem sobre isso possivelmente os casos de suicídios seriam menos ignorados, haveria mais preocupação pública e privada em ajudar a tratar as pessoas (e talvez evitar mais mortes).

3) Evite, evite, evite julgar. Evite julgamentos. Falar: “Mas gente, a vida é tão bonita, como alguém pode fazer algo tão horrível e egoísta?” “Aaah, mas um cara desses tinha que morrer mesmo”. “Ah, quer se matar? Então se mata logo e não enche o saco!” “Pô, mas não entendo como ele se matou tendo filhos!” “Não dá para aceitar um cara que se mata sendo tão rico e talentoso!!”. Ninguém tem ideia do que a pessoa passou ou estava passando. Você não sabe se a pessoa tinha doença crônica degenerativa, depressão, transtorno bipolar, ou qualquer transtorno de personalidade. Você não sabe se a pessoa foi estuprada, se era abusada pelo pai, se apanhava do marido, se era infeliz na carreira. Você não sabe nada da vida daquela pessoa e quer julgar, resolver o problema dela de uma forma simplista? Que tal exercitar o não julgamento, a empatia e a compreensão?

4) Se você é profissional da saúde ou de ensino, tome cuidado REDOBRADO. Se você decidiu seguir uma profissão que “cuida de pessoas” ou “forma pessoas”, além de coragem e vontade, você tem uma responsabilidade muito grande. As pessoas são muito influenciadas pelas palavras dos médicos, psicólogos, professores. O mundo precisa de profissionais cuidadosos.

5) Não use sua religião ou espiritualidade como parâmetro para todos. Existem diferentes entendimentos religiosos/espirituais sobre a morte, a vida e o suicídio. Como você não sabe quais são as crenças das outras pessoas, evite usar as suas como verdade/ponto de referência. Lembre-se que não é possível impor nossas crenças. Daí entra a empatia de novo, o não-julgamento e a vontade de compreender o mundo do outro. Pode ser que seu filho ou seu paciente tenham outra visão de mundo, totalmente diferente. É importante lidar com isso.

 

 

 

Como os memes e a polarização nos deixaram mais intolerantes

O que está acontecendo com o Braseeel? Estamos mais loucos, divididos igual torcida de futebol, intolerantes. Até tentar ser da paz irrita as pessoas.

Eu sou a favor da bandeira branca. Sou a favor de fazer análises sob um ponto de vista mais global, mais humano, mais coletivo, mais isento. E não se irritem com isso.

Tenho a impressão de que nossas neuroses estão ficando fora do controle. Estamos exaustos. Estressados. Desacreditados. Insatisfeitos. E, principalmente, estamos sendo facilmente influenciados (inconscientemente ou não) pelos memes dos amigos/inimigos, pelas imagens, pelas provocações dos “inimigos”, pelos espetáculos partidarizados da mídia e dozamigos.

Hoje nos irritamos mais. Está difícil não se revoltar com um meme mentiroso/agressivo. Está difícil não se irritar ao ouvir: “VACAA”, “LADRÃAO”, “MENTIROSO”, “BURRO”.

Não estou defendendo que todos sejamos mortos, apáticos, sem ação. Estou defendendo que estamos gastando nossas energias do jeito errado. E não estamos percebendo que nossa revolta só está atendendo aos interesses daqueles que querem zoar o barraco. Povo dividido é muito mais fácil de manipular.

O mundo é movido pelas palavras e atitudes que colocamos para fora. Ou seja, tudo que falamos, postamos e mostramos muda o que está em nosso redor. Somos influenciados pela energia do outro. Você não vai transformar um tucano em um petista ou um petista em um tucano. Mas você passou a bola pro seu amigo. Passou sua energia de revolta pros coleguinhas e amigos. O nervosismo de um passa para o outro, que passa para o outro, daí até os filhos sofrem com o nervosismo dos pais, até o cachorro sente a vibe pesada. Percebe? Por que alimentar o negativismo?

Os problemas do mundo não estão na política. A política é apenas um aspecto e é um reflexo da humanidade. O problema é humano. Todos os problemas do mundo estão dentro de cada pessoa. Sei que esse tipo de papo soa clichê para as pessoas, mas é algo tão óbvio que não devia ser ignorado. Reflita:

“Vocês, que tanto pedem por mudanças, (…) ainda não compreenderam que todas as vezes que despejam a resolução de seus problemas nas mãos de outros, estão a entregar o seu Poder Pessoal, perdem a automaestria e ficam à mercê do mundo externo.

As mudanças que buscam não estão nas mãos dos vencedores ou perdedores das suas eleições. Saiam das ilusões. 

Não existem salvadores. 
Vocês devem fazer a parte que lhes cabe. O seu mundo está em suas mãos.

Assumam o comando de si mesmos e de suas vidas pessoais, em primeiro lugar. Assumam suas responsabilidades no que se refere ao estado em que se encontra a sua realidade. Seus políticos não são os únicos responsáveis. Vocês todos são os coadjuvantes”.

“Ok, então o que você sugere?”

Ah, algumas ideias…

(1º) Evite tirar conclusões sobre o que os outros pensam/dizem. Hoje está fácil se irritar com o que as pessoas falam/postam. Que tal dar o benefício da dúvida? Muitos conflitos surgem por causa de nossa interpretação e não daquilo que a pessoa quis dizer. Você NUNCA vai saber o que realmente se passa na cabeça da outra pessoa. Então, não perca tempo e energia tentando agredi-la ou mudar sua opinião ou mesmo entender sua opinião (que parece estranha). Deixe passar. Desapegue.

(2º) Evite repassar mensagens engraçadinhas que só incentivam a polarização/a revolta. O que parece engraçado para você pode na verdade: (a) ser mentira; (b) ser ofensivo demais; (c) gerar mais conflitos e ódio.

(3º) Evite idealizar ou demonizar um lado ou os dois lados. Cuidado com extremos. Não existem santos nem capetas. Sério. Ninguém é perfeito. Cuidado com opiniões apaixonadas ou cheias de ódio sobre qualquer pessoa. Ninguém é obrigado a gostar ou desgostar das pessoas/instituições que você gosta. Infelizmente as pessoas admiram aspectos diferentes e você não vai mudar isso nos outros. Além disso, quanto mais idealizamos alguém, maior a chance de quebrarmos a cara, porque todos erram. E quanto a demonizar alguém: sério, por que perder energia odiando alguém? (fale sobre isso na terapia ou tome uma cerveja)

(4º) Repasse ideias/palavras construtivas. Propague sugestões úteis (ao invés de só reclamar). Reclamar é fácil. Mas ao invés de xingar os outros e criticar, que tal mostrar aquilo que você gostaria de ver sendo construído/apoiado? Que tal usar seu tempo refletindo, criando novas ideias para MELHORAR AS COISAS? Se for para criticar, use a crítica de forma pontual, positiva, assertiva.

(5º) Evite levar as coisas para o lado pessoal. Esse meme não é contra você! Nem tudo que as pessoas postam é para te provocar ou ofender suas convicções, paixões, ideais, família. Os xingamentos e piadinhas não são para ofender você ou seus queridos. O ódio alheio é apenas desabafo, vazamento das neuroses pessoais, descontentamentos que todos nós temos. Todos. Não tem nada a ver com você.

(6º) Tente enxergar que estamos todos no mesmo barco e que disputas enfraquecem todos os lados. Sei que é difícil, mas tente entender o lado do “outro”. Ele pode pensar totalmente diferente de você, mas aposto que em algum aspecto vocês concordam e podem se apoiar. Aposto que ele também tem um familiar doente. Ele também já ficou desempregado ou viu alguém que ama morrer. Todos somos humanos e ninguém sabe qual é o inferno que o outro passa. Vamos ser menos raivosos e vingativos, isso só alimenta nosso próprio sofrimento.

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Amy: sobre preconceitos

“Minha dor é perceber
Que apesar de termos feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como os nossos pais…” (Belchior)

Hoje estou aqui pensando no quanto nós sofremos lavagem cerebral todos os dias e simplesmente aceitamos – e reproduzimos. Aquilo que soa como “melhor” e “socialmente/moralmente aceitável” acaba entrando na cabeça das pessoas como padrão e nós, influenciáveis que somos, nem percebemos – e saímos julgando tudo e todos. Você já percebeu como você na adolescência contestava seus pais e quando fica mais velho acaba ficando igual a eles ou pior? Será que nós não deveríamos parar de julgar os outros e nós mesmos? Vou dar um exemplo.

Assisti ao filme “Amy” no carnaval, que eu estava ansiosa para ver. E o filme mostra claramente como Amy Winehouse lutava contra problemas graves de saúde, transtorno de personalidade borderline (aparentemente sem tratamento), episódios recorrentes de depressão (desde nova), bulimia (que os pais ignoraram), alcoolismo, vício em drogas. Era um quadro bem grave e destrutivo, que foi só piorando. A fama foi só a gota d´água que ajudou a matar uma pessoa que estava frágil demais – a fama aliada ao pai ganancioso, que a abandonou quando criança mas voltou e grudou nela quando viu o seu sucesso (e resolveu jogá-la fundo numa carreira pesada demais).

Por que estou falando da Amy no quesito preconceito? Porque enquanto ela ainda estava viva a mídia e o público faziam piada das doenças dela todos os dias. Faziam piada da magreza e destruição causadas pela bulimia/anorexia/alcoolismo. Por que a doença e a desgraça soam tão engraçadas para as pessoas? Por que transtornos mentais soam tão patéticos para todos? Por que tanto preconceito em cima de uma pessoa que claramente estava muito doente?

Digo que o preconceito reina e manipula as pessoas porque a sociedade aprendeu que é “OK” você julgar pessoas que usam drogas e têm doenças psiquiátricas. É “OK” você se julgar superior a um usuário de drogas ou a um alcoólatra, porque a lavagem cerebral diária nos diz que somos cidadãos “do bem” “batedores de panela”.

Somos formatados a acreditar que “cidadão do bem” é aquele que assiste futebol, trabalha com algo digno e tedioso (veja, trabalhar com música é coisa de vagabundo), bebe socialmente e paga suas contas. Mas se o “cidadão do bem” sonega impostos, trai a esposa todos os dias e não dá a mínima para os filhos, ele ainda assim é “do bem”. Ele ainda é um cidadão socialmente aceitável e adorado (porque, afinal, todos fazem isso! oras…).

Agora se o cidadão é músico, é vagabundo. Se ele tem um visual diferente, é vagabundo e esquisito. Se ele toca à noite em clubes, é um drogado vagabundo. Se ela gosta de ir dançar na balada, é uma puta. Se toma antidepressivos, é um perdedor, tem mais é que morrer mesmo. Se tem transtorno de personalidade… que merda é essa? Isso não existe, isso é frescura, é um vagabundo preguiçoso!! Se é usuário de drogas, não presta, merece morrer. Gente, que horror. As pessoas não entendem a realidade do outro e já saem julgando e se achando superiores…

Que tal você repensar seus conceitos e parar de olhar torto para aquelas pessoas que parecem fora do padrão “do bem”? Que tal parar para olhar melhor para as suas atitudes e as atitudes do cidadão “do bem”?

 

the devil inside e o que você deixou de viver

“The word devil is very beautiful, if you read it backwards it becomes lived. That which is lived becomes divine and that which is not lived becomes the devil” (Osho)

[Tradução: a palavra ‘devil’ (diabo) é muito bonita, pois se você ler de trás para frente, vai ter ‘lived‘ (vivido). Assim, aquilo que foi vivido torna-se divino e aquilo que não foi vivido torna-se diabólico“]

“Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons” (Freud)

“O que não enfrentamos em nós mesmos, encontraremos como destino” (C.G. Jung)

Acho essa frase do Osho muito boa. E ela sempre vem na minha cabeça. Tudo que você deixou de viver ou reprimiu realmente vai vir te assombrar em algum momento. Todo lado sombrio que está dentro de qualquer ser humano precisa ser conhecido, aceito e trabalhado. Tenho muita inveja das pessoas normais que foram aqueles adolescentes/jovens demônios chatos pra caramba, que batiam nas outras crianças, faziam bullying nos CDFs e gordinhos, queimavam patrimônio público, quebravam o vidro do vizinho, infernizavam o porteiro, fumavam maconha e bebiam até entrar em coma alcoolico, brigavam com os pais direto, contestavam a escola, os professores e os amigos.  Essas pessoas tornaram-se adultos mais saudáveis. Não precisam ter feito tudo isso, mas alguma parte disso já pode ter sido positivo. Saudáveis também aquelas pessoas que viveram meses ou anos na balada, pegando geral, traindo as namoradas ou namorados, se envolvendo em brigas, vomitando nos amigos, sendo expulso de festas, bares, parques. Saudáveis.

Um dia um moleque baladeiro aspirante a músico que conheci me falou (lá pelos meus 32 anos de idade, não faz tempo) que eu era uma pobre coitada, pois não tinha vivido nada na vida. Quando ouvi aquilo fiquei revoltada, porque pensei “Como assim? eu estudei, fiz faculdade, fiz mestrado, falo várias línguas, viajei um pouco. Como assim não vivi nada?”. Me revoltei mas na verdade ele tinha certa razão. De que valeu eu fazer uma faculdade que eu não gostei, um mestrado que na prática não serviu de nada, línguas que não uso? Para trabalhar infeliz, ficar depressiva, e depois desempregada, cheia de conflitos internos e agressividade descontrolada. Gastei toda minha adolescência e juventude fazendo aquilo que a sociedade e a família me ensinaram que era correto. Engoli seco todo bullying, pancadaria, gritos, críticas. E acabei deixando de pôr pra fora os sentimentos negativos e viver coisas que faziam parte da normalidade da adolescência/juventude.

Mas também, não sei o que eu queria. Eu queria por acaso que na escola houvesse matérias chamadas “por que é legal você ser um adolescente rebelde” ou “seja malvado e seja mais feliz”, “mergulhe na sombra com prazer”? Eu queria talvez que a cultura japonesa fosse menos repressiva, rígida e intolerante. Sim, isso eu queria.

Bom, o fato é que ninguém tem como entender o que se passa na vida alheia. Ninguém tem como entender os sentimentos – sombrios ou não, agressivos ou não – de outras pessoas, sejam elas familiares, maridos etc. Cada um tem sua mente louca e cheia de coisas vividas ou não vividas, sentimentos vividos ou reprimidos, vontades entendidas ou ignoradas, desejos sombrios ou bonitos. O sombrio ninguém nunca quer falar. Mamãe ensinou que não pode. A tia ensinou que não posso ser uma má menina. Papai disse que se eu for bonzinho vou ganhar um carrinho. A gente é adestrado a ser um bom animal-ser-humano, controlado, castrado, exemplar. Se você tem raiva ou desejos de morte ou de maldade, você tem problemas – óh! não vamos falar sobre isso. Isso, aqui me veio quele filme “precisamos falar sobre Kevin”.

Tá certo que tem gente que vive no lado sombrio 99% do tempo e daí já acho que também tem algo de errado. E também tem pessoas que viraram psicóticas, ok. Vide Norman Bates, menino psicótico que foi castrado, reprimido, controlado e manipulado pela mãe-neurótica-sofrida-apegada-manipuladora-louca. Aquela história de que tudo deve ter um equilíbrio ainda é verdade…  Só pensar no tao, no ying e yang… que é muito mais do que um símbolo para tatuar no braço ou pendurar no pescoço. É o que descreve aquilo que precisamos lembrar sempre: na natureza sempre temos essas forças opostas e complementares, que são interdependentes e totalmente conectadas. A luz e a sombra, o fogo e a água, o branco e o preto. Elas se completam e se equilibram. Uma não existe sem a outra e uma está dentro da outra.

E você, está consciente da sua luz e da sua sombra?

its-life

 

 

Losing an illusion

“Losing an illusion makes you wiser than finding a truth” (Zen quote)

[Perder uma ilusão traz mais sabedoria do que conhecer uma verdade] (Provérbio Zen)

“No budismo, diz-se que existem sete véus de ilusão. À medida em que cada um é eliminado, diz-se que a pessoa compreendeu mais um aspecto da verdadeira natureza da vida e do self. Erguer os véus fortalece a pessoa o suficiente para que aceite o significado da vida, para que desvende os padrões dos acontecimentos, dos seres e das coisas (…)” (do livro “Mulheres que correm com os lobos”)

É impressionante o quanto às vezes a gente é cego e tem pouca noção de como nós somos realmente. A gente consegue julgar todo mundo, consegue falar mal, se irritar com os defeitos dos outros. Mas às vezes demora mil anos para perceber que aquele defeito na verdade está em você mesmo. É tão fácil analisar o mundo. É tão fácil ficar acomodado no mesmo lugar achando que o mundo que está errado. Daí de repente, do nada, você para para  pensar, cai na real e toma um tapa na cara. E percebe que não é só o mundo que está estranho. É você que está preso num padrão antigo, num medo que você tem desde sempre. Você que tem que mudar, não o mundo. Você reclama, mas você mesmo gera aquilo que acontece com você.

“Você tem o poder de criar. Seu poder é tão grande que tudo aquilo em que você acredita torna-se realidade. Você cria a si mesmo, seja lá o que for que acredite ser.” (Don Miguel Ruiz)

Esta semana foi punk para mim. Perceber antigos traumas ou que você é um bicho esquisito é muito ruim. Mas ok, todo mundo é bicho esquisito. O que importa é que eu estou evoluindo. Ficar parado que não dá…

Not your concern

“Stay on the path. It’s not your concern. Stay on the path. It’s not your concern”. (Eli – The Book of Eli)

Eu ando com uns 500 posts diferentes na cabeça. Na verdade, eles são todos meio iguais, porque minha cabeça louca sempre pensa demais, mas sempre pensa nas mesmas coisas. Mas enfim, paciência! rs Eu estou faz um tempão para comentar um filme excelente: “The Book of Eli”. Se não tiver assistido ainda, alugue, vale a pena. Eu acho que ainda tenho o ISO gravado no meu note se alguém quiser. O filme vale a pena por causa da fotografia, dos atores, da história. Entretém, é muito bom e no mínimo faz pensar (em 500 coisas). Desta vez não vou falar das 500 coisas (que são muito mais importantes), mas resolvi mencionar o filme porque colei a citação lá em cima.

Não vou comentar o contexto da citação no filme, mas é uma frase que está na minha cabeça no meu contexto atual. Stay on the path. It’s not your concern. Isso tem muito a ver com a questão de manter o foco, seguir seu caminho, cumprir o que você se propôs e não ficar se desviando. O Eli recebeu uma grande missão e é isso que ele se esforça para cumprir o tempo inteiro. A questão do “it’s not your concern” eu ainda estou tentando pôr na minha cabeça. Not your business. Eu tenho uma mania estranha de querer ‘ajudar o mundo’, ‘mudar o mundo’, ‘salvar as pessoas’, ‘procurar o melhor nas pessoas’, ‘influenciar as pessoas’. Por que raios eu faço isso? Não sei ainda. Alguma culpa obscura? Alguém que eu não salvei? Só sei que eu preciso deixar de ser arrogante e pretensiosa e cuidar mais da minha vida, menos da vida dos outros e do mundo.

Eu acho que devemos ajudar as pessoas e o mundo. Mas tudo tem limite e tem que ter equilíbrio. Você nunca pode ajudar alguém que não quer ajuda. Você não pode querer mudar a opinião de ninguém – que direito você tem? Você não pode querer influenciar pessoas e mudar o jeito de pensar/ser delas só porque você acha que seu jeito de pensar é legal. Quem disse que isso é o ideal? Quem disse que temos o direito de ficar julgando todos, de ficar mudando os outros, de ficar influenciando? Temos que deixar as pessoas serem o que elas são, por mais que o diferente incomode, por mais que você tenha a ousadia de achar que aquilo que elas estão fazendo não é o melhor para elas mesmas. Como disse Clarice: “Escuta: eu te deixo ser, deixa-me ser então”. Deixe os outros serem magros, gordos,  ricos demais, parados demais, crentes, evangélicos, budistas, ateus, chatos, alienados, intelectuais, ativistas, dramáticos, bobos, chatos, fãs de axé ou heavy metal, cabeludos, carecas.

Eu só entendo que isso não se aplica nos seguintes casos: (a) alguém te pediu opinião e/ou ajuda; (b) você é pai/mãe/avô/avó (depende da idade do ser humano claro); (c) você é professor, tutor, orientador, etc etc. Mas isso tudo dá pano pra manga. Não vai dar para discutir aqui o papel dos pais e sua influência nas escolhas dos filhos. Nem cabe rs.

Enfim, tudo isso para dizer… vou tentar cuidar mais da minha vida. E vocês, sejam felizes e cuidem bem de vocês mesmos e das pessoas que vocês amam.

As coisas são como são…

The mind questions the whole life long and never receives any answer, and the heart never asks but receives the answer. OSHO

Faz tempo que não escrevo alguma viagenzinha né? Mas hoje fiquei com vontade. E a única idéia que está me martelando agora é que a gente precisa aprender a deixar as coisas serem como são, as pessoas serem como são. Não é questão de fazer apologia ao conformismo, comodismo e passividade. É questão de aprender a aceitar a vida, os fatos e  as pessoas do jeito que elas aparecem. Por que a gente quer mudar tudo? Por que as pessoas querem que o namorado volte, que a mãe mude, que os filhos sejam diferentes, que o emprego seja exatamente de um jeito x, que seu chefe seja y, que seus amigos sejam perfeitos? Por que criar 1000 expectativas em cima de todo mundo e tudo? Por que o apego a uma situação anterior, uma namorada anterior, um emprego anterior? Por que não deixar as coisas e pessoas simplesmente irem embora quando precisam ir? É, desapego, desapego, impermanência….

O desapego está, acho, em saber aceitar as situações novas, por mais bizarras ou indesejadas que sejam. O desapego está, é, eu acho, também em deixar pessoas irem embora… seja aceitando o fim de um relacionamento, de uma amizade, a distância, a morte (ou transição… como diriam alguns).

Eu ainda não aceito muitas coisas. Mas vamos lá né, vamos criar serenidade e muito esforço para mudar. As coisas são como são, oras, deixe-as em paz.

Escuta: eu te deixo ser, deixa-me ser então ~Clarice Lispector