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O Reflexo que Dói

“Álvaro de Campos tem um verso que diz mais ou menos assim: “Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim”. Intervalo, um espaço indefinido onde a minha verdade se perdeu, enfeitiçada pelo pedido dos outros. Os outros pedem que não sejamos o que somos; que sejamos só o que eles desejam. E ficamos sem rosto. Só máscaras. Cebolas sem cerne, só casca. O Diabo nos coloca entre o martelo e a bigorna e vai nos forçando a tomar decisões. Pode ser que, ao final, tenhamos a experiência suprema de horror. Quando, diante do espelho, não vemos rosto algum, apenas os rostos de outros. Acho que é por isto que todo mundo fala mal do Diabo: porque, além de ser ferreiro de martelo e bigorna, é também especialista em beleza, com espelho na mão. E o reflexo no espelho dói mais que o martelo na bigorna” (Rubem Alves)

I’ve eaten the sun so my tongue has been burned of the taste

Tem dias que eu realmente não sei o que fazer com os meus pensamentos malucos. O resultado é uma mistura de mau humor com raiva, não sei bem explicar. Eu definitivamente não ando super normal e nem sei explicar por quê. A única coisa que sei é que preciso de algum jeito para liberar a energia que está presa, talvez extravasar a agressividade e ansiedade acumuladas por razões desconhecidas. Nesse aspecto, o kung fu era muito útil. Ou o sanshou. Acho que ia realmente fazer bem pra mim. Mas voltar a fazer essas coisas implicam outros problemas. Precisava de uma solução bem simples. Alguém tem alguma sugestão? O que você faz quando você tem vontade de socar o mundo?

O tempo?

Coloquei esse texto sobre o tempo e em alguns aspectos gosto muito dele. É muito verdade que a gente se esconde atrás da desculpa do “não tenho tempo” para tudo. E sim, as pessoas adoram se sentir importantes.

Mas eu estava pensando que desde que mudei de casa e emprego eu não tenho sabido administrar meu tempo. Trabalhando até tarde todo dia eu costumo chegar mais ou menos umas 21h, às vezes 20h, mas não mais cedo que isso. E eu chego em casa com vários dilemas: lavo louça ou lavo roupa? cozinho ou passo roupa? arrumo a sala ou pago as contas no banco? procuro um plano de saúde ou procuro emprego? treino canto ou faço abdominais?

O resultado disso é que a casa anda bagunçada sempre, as roupas estão acumulando, eu estou sem plano de saúde, engordei uns 3 kg, mas dentro do possível tenho cozinhado sempre que dá, respondo e-mails, ouço música e treino algumas para cantar.

Quais são minhas prioridades hoje? Bom, acho que é (1) encontrar uma solução para minha vida profissional (arranjar um bom emprego e investir em outras coisas), (2) cuidar do meu namorido-amado, (3) tentar cuidar melhor dos amigos e família, (4) voltar aos estudos espirituais, (5) colocar a saúde em ordem.

Confesso que por enquanto só tenho gastado muuito tempo com a questão profissional. Muuita energia só nisso. Mas quem sabe se eu fizer uma agendinha e for disciplinada consigo arrumar essa bagunça? Alguém tem mais dicas? 😉

Isa e o gelo

Hoje tirei um jogo de runas pra mim, tentando procurar uma luzinha para  o período conturbado e duvidoso atual. Em parte, estou teoricamento no meu “inferno astral”, mas como não manjo de astrologia não sei explicar muito bem o que significa. Só sei que falta menos de 1 mês para começar um novo ciclo. E novos ciclos são muito bons.

Muitas das mensagens que me vieram hoje foram em relação ao “voltar-se para dentro”, “procurar o inimigo no interior”, “ter paciência, perseverança”, “ter humildade”, “equilíbrio”, “saber que eu preciso deixar o universo agir”. Outras runas que saíram foram a Sowelu e a Thir, o que incita a busca à luz e ao guerreiro espiritual. Mas o final de tudo foi a runa ISA, o gelo. Quando as coisas estão realmente bloqueadas e vc precisa se livrar do velho, do excesso, para tentar um degelo.

Isso tudo me fez, por um lado, lembrar que eu não controlo todas as coisas… que o universo age e realmente tem horas que vc precisa ter paciência. Vc faz de tudo e mesmo assim as coisas não acontecem… Dá uma mega angústia, mas não é em vão… (espero).

Por outro lado me lembrou que eu preciso me dedicar decentemente aos estudos espirituais, eles estão muito negligenciados.

E, por fim, estou cheia de dúvidas ainda em relação a como administrar o material e o espiritual. O material é importante e precisa ser equilibrado, mas o que fazer quando o material atravanca tudo? O que será que faltou entender? Talvez eu tenha tido muita pressa e acabei recebendo o que eu pedi (muuito trabalho). Agora é aguentar todos os trancos e ter realmente paciência.

SuperMetal Peoplefobia

Uau, isso poderia ser o nome da minha banda de metal!! Quem conhece os 5 elementos chineses e as minhas loucuras deve entender o título desse post. Estou de férias e ando meio esquisita, muito metal, antecipando o inverno e a hibernação. E na verdade é um momento contraditório. Não, na verdade, eu sou super contraditória.

Eu tenho um amor enorme por artes, música, dança, diversão, palco e tudo mais. Deve ser o sol em libra, a lua em touro, o ascendente em sagitário e whatever. Mas ao mesmo tempo eu sou “totally metal”, tenho tendência a me recolher e ficar trancada no quarto, ouvindo música, lendo um livro, tudo que me faça estar longe da multidão. A pressão de ser perfeita, impecável me deixou meio maluca. A japonesice também me trouxe efeitos colaterais. As japonesinhas tradicionais devem ser ainda mais impecáveis, rir baixo, olhar para baixo, serem discretas e invisíveis.

Que coisa horrível… acho que é por isso que eu ando lendo Osho. As pessoas têm um mega preconceito dele, mas tenho que admitir que ele tem textos muito bons. Em alguns momentos me lembra a simplicidade e a beleza de Rubem Alves, em outros, o tal do poder o agora do Eckart Tolle. Enfim, é a sabedoria básica que nós todos deveríamos ter mas não estamos acostumados… Ser livre, ser simples, ter coragem de ser qualquer coisa, viver o momento, viver a eternidade, não ter preconceitos e frescuras, não ter apego, não usar máscaras. A gente sabe o que deveria fazer, mas vive fazendo o que não deve.

Desapego

“Quando nos apegamos às pessoas, à matéria ou às situações, o foco de nossa atenção está absorvido naquela direção e toda nossa energia está concentrada naquilo. Se queremos nos libertar desse processo, precisamos criar novas motivações capazes de mudar o alvo dos nossos hábitos e crenças. Um bom método para isso é olhar com mais interesse para dentro de nós e verificar o que genuinamente atrai a nossa atenção.” (António Sequeira)

Estou num período estranho de ansiedade. Todos sempre falam que quando a gente quer alguma coisa, a gente simplesmente consegue, então temos que tomar muito cuidado com o que queremos. E de fato, os meus dois últimos empregos foram exatamente aquilo que eu achava que precisava. Logicamente a demora para saber o que eu queria e o medo de voltar para uma profissão que eu não queria atrapalharam bastante. Mas uma hora surgiu exatamente algo que eu precisava. Não era perfeito obviamente, mas era do jeito que eu tinha escrito. Na época eu ainda pedi outro trabalho, tentando ser mais específica, porque nada vinha. O que aconteceu é que os dois se acumularam. Consegui os dois e fui levando. Foi uma loucura, não tinha fim de semana.

Mentalizei uma outra coisa, veio também, em pleno verão. (E não pensem que foi tudo rápido e fácil, passei uns 7 meses desempregada e apelei para muitos métodos!). Era mais do que perfeito. Pela primeira vez eu me senti no lugar certo, com as pessoas certas, fazendo as coisas certas. Mas eis que em novembro o meu mundo ideal e bonito ruiu e efeitos colaterais vieram. Foi um grande choque, no momento mais bizarro possível. Por um lado, foi bom para eu acordar, afinal nada é perfeito. Além disso, foi bom para eu saber que o meu rumo não era aquele. Eu estava me acomodando em algo que era pra ser provisório. E o mais irônico é que quando eu entrei nesse lugar eu pensei “ah  1 ano eu fico por aqui…”. E realmente após 1 ano aconteceu o efeito colateral.

Agora já se passaram mais 4 meses e eu estou usando o que eu posso para ir para uma nova fase. É difícil desapegar, confesso. Gosto demais das pessoas com quem trabalho, me divirto muito aqui, fico à vontade como nunca fiquei em nenhum trabalho. Mas já entendi que não é pra eu ficar aqui e estou botando fé de que as coisas vão se encaminhar da melhor forma. Desapego, desapego…

É, quando você está onde você não deveria estar parece que a vida te pega e te empurra pro lado. Bom, a vida é sábia né, preciso respeitar mais o meu próprio caminho e me livrar das coisas ultrapassadas aos poucos!