O amor pela arte… Parte I

“O futuro espera-nos com os seus males, mas enquanto houver a lua e a música, e amor e romance, escute a música e dance”.
Irving Berlin, 1888-1989

Eu confesso. Tenho um problema sério com a arte, principalmente com a música. Meu blog provavelmente terá muitos posts sobre música, arte, beleza, além de reflexões peculiares de uma pessoa noiada que frequenta 1 psiquiatra, 1 psicanalista e 1 cantoterapeuta! Aliás, não é à toa que eu amo Rubem Alves, ele é psicanalista também (entende os loucos) e um grande amante da música.

Procurando as raízes dessa dependência à arte, que não consigo afastar, penso na família e nos astros. Posso até explicar pela numerologia e pelas vidas passadas. Mas é muito mais simples dizer que todo ser humano simplesmente precisa de arte. Como já disse o RTZA: “Os místicos e os apaixonados concordam em que o amor não tem razões. Angelus Silésius, místico medieval, disse que ele é como a rosa: “A rosa não tem “porquês”. Ela floresce porque floresce”.” É isso aí, a rosa floresce porque floresce. E eu amo música porque amo. Oras. E quem não ama?

A família

Meus pais têm alma de artista. E queria saber se meus antepassados também tinham! Até onde sei minha bisavó tocava shamisen e era dançarina (ou algo assim). Meu avô do Japão tocava violino. Meu pai canta muito bem, tem uma super presença de palco, ótimo em pintura (e tocava cavaquinho: tem uma foto dele no navio tocando, vindo do Japão para o Brasil). Minha mãe é muito boa em canto, desenho e dança tradicional japonesa. Minha sister do meio, mezzosoprano, canta muito bem, também boa em pintura em óleo. Minha outra sister, outra apaixonada pela música, tocou órgão, teclado, violino e violoncelo. 

Só agora vejo que as festas de família poderiam virar saraus bem divertidos!

Na Parte II eu conto os traumas de infância!

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Nuvem

“Uma pessoa sábia sabe como usar o tempo. Sabedoria é espiritualidade. Use o tempo para o eu e não se deixe levar por hábitos que causam estresse. Temos tanta riqueza interior mas não a exploramos. Precisamos redescobrir quanto amor e sabedoria existe dentro de nós. Mas só através da contemplação, meditação e reflexão ela emergirá. Dessa forma a riqueza interior poderá ser usada e compartilhada.”

Mohini Panjabi

 

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Onde é que há gente nesse mundo?

Poema em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

(Álvaro de Campos)

 

Eu amo Fernando Pessoa. É difícil não gostar né… não precisa de muito. Alguns até mesmo não sabem que estão citando Fernando Pessoa… hehehe Como o meu amigo disse certa vez: “Como diz aquele velho provérbio chinês, tudo vale a pena se a alma não é pequena!”. Esse poema que eu coloquei eu já mandei para vários amigos e ele é muito significativo pra mim. Um professor de álgebra, uma graça, certa vez leu em aula, quando eu estava no colegial. Eu sempre lembro desse trecho… “Arre, estou farto de semideuses!” hehehe E eu fico cansada mesmo, várias vezes por dia. Tudo sempre é tão perfeito e tão falso, tão feliz e tão encenado, tão hipócrita e tosco… hehehe E olha que eu não estou mal humorada enquanto escrevo este post.

Eu achei que esse poema ia bem com o fim do meu blog e as minhas nóias. Sou mega-noiada e muitas vezes ingênua. Eu às vezes acredito que as pessoas são perfeitas e felizes mesmo!! Mas como diz o Rubem Alves (meu outro favorito, como já sabem): “As pessoas totalmente felizes não conseguem pensar pensamentos interessantes. É preciso uma pitada de dor para que o pensamento pense bonito”. Enfim, não desejo dor para ninguém, obviamente, mas sim que as pessoas saibam lidar com ela e perceber que ficam mais belas e com os olhos mais bonitos quando passam por certas coisas.

Were Diu Werlt Alle Min!!

“Oh, oh, oh,
totus floreo,
iam amore virginali
totus ardeo,
novus, novus amor
est, quo pereo! “

Ontem eu e alguns dos meus amigos arquitetos queridos fomos para a Sala São Paulo assistir a Banda Sinfônica tocar “Carmina Burana”.  Meio difícil descrever a alegria e a emoção. Só sei que faz um bem para a alma como poucas coisas. A interpretação foi intensa, divertida e teve até uma legenda modernosa usando figuras de linguagem que eu não lembro mais do tempo de colegial… (alguém aí lembra o nome?). É, tava ilegível a legenda, mas eu tava tão entretida na banda, no coral e nos solistas que eu desencanei de ler a legenda…

Bom, logicamente tem um agravante para minha alegria, como eu tenho ensaiado essa obra todo sábado no Coral, eu tenho tentado decorar e entender a letra dela toda. É muita diversão! A parte das vozes masculinas é animaal. Mas as sopranos também têm sua diversão cantando super fininho falando sobre virgindade e desejo de amor. Às vezes nós nos sentimos gralhas, às vezes macacas. Mas quando nós melhorarmos nossos agudos os animais da floresta vão embora… E eu ainda preciso chegar no Si4! (meta para os próximos meses)

Enfim, voltando à obra, ela tem uma importância especial para mim pela questão da Roda da Fortuna (“Ó Fortuna, és mutável como a Lua…”), a Roda que gira… a Lua que muda, cresce e diminui… a queda, o ápice, a primavera que chega, o Amor. Citando o site “SpectrumGothic”: “uma obra que revelou a significação do todo: só o Desejo e o Amor podem capacitar o Homem a viver, lutar e crer”.

 

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Bipolaridade

Bom, apresentado o blog, este é o meu primeiro post de reflexões e viagens. É bem engraçado fazer um blog, porque é uma escancarada exposição, ou ao menos uma tentativa de se mostrar, seja com máscaras, seja por meio de músicas, fotos, imagens, textos, frases, comentários eruditos, intelectuais, “libertos”, artísticos ou incompreensíveis.

Eu sempre tive aversão à exposição. Em todos os sentidos. Sabe aquelas japonesinhas tímidas, feinhas, com camiseta da hello kitty, que falam baixo, vão bem na escola, fogem da aula de educação física e sempre querem ficar invisíveis? Bem, eu aprendi bem como ser assim.

Hoje em dia, chegando quase aos 30 (que tarde né), eu resolvi (tentar) desencanar de me esconder de tudo, de me preservar de tudo, de usar máscaras e fazer teatro de pessoa padrão diplomática superficial feliz e perfeita.

É tão óbvio, mas todo mundo sempre anda no “protected-happy-mode-on”. E eu estou um pouco cansada disso, agora que se dane que as pessoas saibam que não sou a pessoa perfeita padrão feliz e bem sucedida. Sou quase bipolar mesmo (não é o diagnóstico do meu psiquiatra, mas é modo de dizer!), sou estranha, não estou sempre feliz, não gosto de todo mundo, me irrito, xingo no trânsito às vezes, trabalho como advogada mesmo, sou vegetariana sim, sinto falta de meus amigos e família, sinto falta de desabafar e chorar, choro à toa, sou romântica e idealista demais, amo cantar e dançar, amo viajar, detesto falta de respeito, falta de humildade, falsidade, agressividade e falta de sensibilidade.

Enfim… o fim do meu blog é falar qualquer coisa da forma mais livre possível. Afinal, todo mundo precisa ser livre, mas se dar o direito disso é outra história.

Finalmente!

Faz tempo que estou querendo fazer meu blog e hoje, em pleno domingo de sol e casa vazia, estou aproveitando para criá-lo. A falta de acesso à internet no meu quarto e a lerdeza do computador do meu pai atrapalham um pouco, mas a minha necessidade de escrever, desabafar, falar asneira, cantar, reclamar, colar frases bonitas, fotos etc etc é maior do que tudo agora.

Warnings: este blog apenas reflete as idéias e loucuras da sua criadora. Não tem como objetivo ofender ou criticar direta ou indiretamente ninguém nem nenhuma instituição. Nós somos aquilo que pensamos, nós enxergamos aquilo que queremos, então, entre, fique à vontade e não leve nada para o lado pessoal.