Menos é mais (Sonia Hirsch)

Menos é mais. O pulo do gato é se acostumar a comer pouco.
No Pequeno tratado das grandes virtudes, o filósofo André Comte-
Sponville fala sobre a temperança. Diz que não se trata de não
desfrutar, nem de desfrutar o menos possível, o que não seria
virtude mas tristeza, não temperança mas ascetismo, não moderação
mas impotência; trata-se de desfrutar melhor.
 
“A temperança, que é a moderação nos desejos sensuais, é também
a garantia de um desfrutar mais puro ou mais pleno. É um
gosto esclarecido, dominado, cultivado.” Em vez de escravos
passamos a ser senhores dos nossos prazeres, diz ele. E quem
desfruta com liberdade também desfruta da própria liberdade,
ao passo que o intemperante é prisioneiro de seus desejos e
hábitos, de sua força e de suas fraquezas.
 
Ele cita um grande pensador do século 17, Baruch Spinoza,
para quem é próprio dos sábios usar as coisas e ter nisso o
maior prazer possível – mas sem chegar ao fastio, que não é
mais ter prazer. E coloca a temperança como um meio para a
independência, assim como esta é um meio para a felicidade:
“Ser temperante é poder contentar-se com pouco. Mas não é o
pouco que importa: é o poder, e é o contentamento.”

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