the devil inside e o que você deixou de viver

“The word devil is very beautiful, if you read it backwards it becomes lived. That which is lived becomes divine and that which is not lived becomes the devil” (Osho)

[Tradução: a palavra ‘devil’ (diabo) é muito bonita, pois se você ler de trás para frente, vai ter ‘lived‘ (vivido). Assim, aquilo que foi vivido torna-se divino e aquilo que não foi vivido torna-se diabólico“]

“Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons” (Freud)

“O que não enfrentamos em nós mesmos, encontraremos como destino” (C.G. Jung)

Acho essa frase do Osho muito boa. E ela sempre vem na minha cabeça. Tudo que você deixou de viver ou reprimiu realmente vai vir te assombrar em algum momento. Todo lado sombrio que está dentro de qualquer ser humano precisa ser conhecido, aceito e trabalhado. Tenho muita inveja das pessoas normais que foram aqueles adolescentes/jovens demônios chatos pra caramba, que batiam nas outras crianças, faziam bullying nos CDFs e gordinhos, queimavam patrimônio público, quebravam o vidro do vizinho, infernizavam o porteiro, fumavam maconha e bebiam até entrar em coma alcoolico, brigavam com os pais direto, contestavam a escola, os professores e os amigos.  Essas pessoas tornaram-se adultos mais saudáveis. Não precisam ter feito tudo isso, mas alguma parte disso já pode ter sido positivo. Saudáveis também aquelas pessoas que viveram meses ou anos na balada, pegando geral, traindo as namoradas ou namorados, se envolvendo em brigas, vomitando nos amigos, sendo expulso de festas, bares, parques. Saudáveis.

Um dia um moleque baladeiro aspirante a músico que conheci me falou (lá pelos meus 32 anos de idade, não faz tempo) que eu era uma pobre coitada, pois não tinha vivido nada na vida. Quando ouvi aquilo fiquei revoltada, porque pensei “Como assim? eu estudei, fiz faculdade, fiz mestrado, falo várias línguas, viajei um pouco. Como assim não vivi nada?”. Me revoltei mas na verdade ele tinha certa razão. De que valeu eu fazer uma faculdade que eu não gostei, um mestrado que na prática não serviu de nada, línguas que não uso? Para trabalhar infeliz, ficar depressiva, e depois desempregada, cheia de conflitos internos e agressividade descontrolada. Gastei toda minha adolescência e juventude fazendo aquilo que a sociedade e a família me ensinaram que era correto. Engoli seco todo bullying, pancadaria, gritos, críticas. E acabei deixando de pôr pra fora os sentimentos negativos e viver coisas que faziam parte da normalidade da adolescência/juventude.

Mas também, não sei o que eu queria. Eu queria por acaso que na escola houvesse matérias chamadas “por que é legal você ser um adolescente rebelde” ou “seja malvado e seja mais feliz”, “mergulhe na sombra com prazer”? Eu queria talvez que a cultura japonesa fosse menos repressiva, rígida e intolerante. Sim, isso eu queria.

Bom, o fato é que ninguém tem como entender o que se passa na vida alheia. Ninguém tem como entender os sentimentos – sombrios ou não, agressivos ou não – de outras pessoas, sejam elas familiares, maridos etc. Cada um tem sua mente louca e cheia de coisas vividas ou não vividas, sentimentos vividos ou reprimidos, vontades entendidas ou ignoradas, desejos sombrios ou bonitos. O sombrio ninguém nunca quer falar. Mamãe ensinou que não pode. A tia ensinou que não posso ser uma má menina. Papai disse que se eu for bonzinho vou ganhar um carrinho. A gente é adestrado a ser um bom animal-ser-humano, controlado, castrado, exemplar. Se você tem raiva ou desejos de morte ou de maldade, você tem problemas – óh! não vamos falar sobre isso. Isso, aqui me veio quele filme “precisamos falar sobre Kevin”.

Tá certo que tem gente que vive no lado sombrio 99% do tempo e daí já acho que também tem algo de errado. E também tem pessoas que viraram psicóticas, ok. Vide Norman Bates, menino psicótico que foi castrado, reprimido, controlado e manipulado pela mãe-neurótica-sofrida-apegada-manipuladora-louca. Aquela história de que tudo deve ter um equilíbrio ainda é verdade…  Só pensar no tao, no ying e yang… que é muito mais do que um símbolo para tatuar no braço ou pendurar no pescoço. É o que descreve aquilo que precisamos lembrar sempre: na natureza sempre temos essas forças opostas e complementares, que são interdependentes e totalmente conectadas. A luz e a sombra, o fogo e a água, o branco e o preto. Elas se completam e se equilibram. Uma não existe sem a outra e uma está dentro da outra.

E você, está consciente da sua luz e da sua sombra?

its-life

 

 

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