Mês: outubro 2012

Valsinha

Chico Buarque

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar

E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar

E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu, e o dia amanheceu em paz

Not your concern

“Stay on the path. It’s not your concern. Stay on the path. It’s not your concern”. (Eli – The Book of Eli)

Eu ando com uns 500 posts diferentes na cabeça. Na verdade, eles são todos meio iguais, porque minha cabeça louca sempre pensa demais, mas sempre pensa nas mesmas coisas. Mas enfim, paciência! rs Eu estou faz um tempão para comentar um filme excelente: “The Book of Eli”. Se não tiver assistido ainda, alugue, vale a pena. Eu acho que ainda tenho o ISO gravado no meu note se alguém quiser. O filme vale a pena por causa da fotografia, dos atores, da história. Entretém, é muito bom e no mínimo faz pensar (em 500 coisas). Desta vez não vou falar das 500 coisas (que são muito mais importantes), mas resolvi mencionar o filme porque colei a citação lá em cima.

Não vou comentar o contexto da citação no filme, mas é uma frase que está na minha cabeça no meu contexto atual. Stay on the path. It’s not your concern. Isso tem muito a ver com a questão de manter o foco, seguir seu caminho, cumprir o que você se propôs e não ficar se desviando. O Eli recebeu uma grande missão e é isso que ele se esforça para cumprir o tempo inteiro. A questão do “it’s not your concern” eu ainda estou tentando pôr na minha cabeça. Not your business. Eu tenho uma mania estranha de querer ‘ajudar o mundo’, ‘mudar o mundo’, ‘salvar as pessoas’, ‘procurar o melhor nas pessoas’, ‘influenciar as pessoas’. Por que raios eu faço isso? Não sei ainda. Alguma culpa obscura? Alguém que eu não salvei? Só sei que eu preciso deixar de ser arrogante e pretensiosa e cuidar mais da minha vida, menos da vida dos outros e do mundo.

Eu acho que devemos ajudar as pessoas e o mundo. Mas tudo tem limite e tem que ter equilíbrio. Você nunca pode ajudar alguém que não quer ajuda. Você não pode querer mudar a opinião de ninguém – que direito você tem? Você não pode querer influenciar pessoas e mudar o jeito de pensar/ser delas só porque você acha que seu jeito de pensar é legal. Quem disse que isso é o ideal? Quem disse que temos o direito de ficar julgando todos, de ficar mudando os outros, de ficar influenciando? Temos que deixar as pessoas serem o que elas são, por mais que o diferente incomode, por mais que você tenha a ousadia de achar que aquilo que elas estão fazendo não é o melhor para elas mesmas. Como disse Clarice: “Escuta: eu te deixo ser, deixa-me ser então”. Deixe os outros serem magros, gordos,  ricos demais, parados demais, crentes, evangélicos, budistas, ateus, chatos, alienados, intelectuais, ativistas, dramáticos, bobos, chatos, fãs de axé ou heavy metal, cabeludos, carecas.

Eu só entendo que isso não se aplica nos seguintes casos: (a) alguém te pediu opinião e/ou ajuda; (b) você é pai/mãe/avô/avó (depende da idade do ser humano claro); (c) você é professor, tutor, orientador, etc etc. Mas isso tudo dá pano pra manga. Não vai dar para discutir aqui o papel dos pais e sua influência nas escolhas dos filhos. Nem cabe rs.

Enfim, tudo isso para dizer… vou tentar cuidar mais da minha vida. E vocês, sejam felizes e cuidem bem de vocês mesmos e das pessoas que vocês amam.