Mês: junho 2011

Lows…

De onde será que a gente às vezes tira tanto bom humor e tanto olhar ingênuo e puro do mundo? Nos últimos meses eu estou na maior luta contra a tristeza. Tenho que confessar que melhorou bastante, não fico mais chorando do nada (só mesmo quando me emociono de alegria ou quando fico com raiva). Mas ainda é uma luta absurda, todos os dias. Tenho altos, tenho baixos. Mas juro que queria eliminar todos os baixos…

Este fim de semana foi de puros baixos… pensei em muitas coisas, em parte foi produtivo. Mas é engraçado como a gente parece que gosta de sofrer né. A gente adora valorizar as pessoas que não dão valor, a gente adora perceber a falta de consideração de algumas pessoas… a gente adora sentir saudade daquilo que a gente não tem mais, a gente adora achar que “era feliz e não sabia”. Que patético!

E, quer saber, escrevo mesmo que tenho momentos mimimi patéticos, não quero nem saber. Eu sinceramente não sei quanto tempo dura esse mimimi, achei que já tinha acabado… mas não param nunca de cair as fichas… e você toda hora percebe que não é fácil mudar completamente depois de mais de 8 anos (mal) acostumada a sempre ter alguém do seu lado. Que bizarro! Por que é tão difícil? Em parte tem a ver com o meu jeito de ser… em parte tem a ver com o (mau) hábito mesmo.

Sei que isso tudo vai passar (é o que os amigos dizem), mas enquanto não passa logo só dói. E aparentemente tudo que a gente faz é só para passar o tempo e dar uma anestesiada… desde assistir mil episódios de séries, filmes, sair para beber, etc etc, parece que tudo é fuga. É, é fuga mesmo, mas é melhor fugir e ficar dando risada do que ficar afundando nos momentos patéticos de “self pity”.

Hoje eu estou triste sim… estou de saco cheio…

Confesso, confesso…

Mas, enfim, tudo passa né? Então só fica o desabafo.

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Flutue…

“Outro sinal de se estar em caminho certo é o de não ficar aflita por não entender; a atitude deve ser: não se perde por esperar, não se perde por não entender.” (Clarice Lispector)

“O mundo já está mudando e você também já está mudando. A existência é mudança, assim, não se preocupe com isso. Isso já está acontecendo sem você; você não é necessário. Simplesmente flutue nisso, sem qualquer ansiedade quanto ao futuro, e, de repente, em meio às mudanças, você se tornará consciente de um centro dentro de você que nunca muda, que permaneceu sempre como ele é, o mesmo. ” (Osho)

Parece uma loucura essa coisa do “flutue” que o Osho costuma falar. Mas na boa, acho que é tudo que eu preciso agora. Eu sempre vivi com uma nóia de que tudo tem que ter um propósito, um planejamento, um esforço, um significado, uma estratégia. Tudo tem que ser porque tem que ser, porque nós temos que fazer, nós somos os responsáveis. Tudo sempre foi uma grande nóia. E na boa, isso tudo me faz mal. Chega.

Alguém por favor me lembra que a gente não está no mundo para fazer nada de grande e incrível e indispensável? Que a gente está no mundo para viver e não para cumprir x, y, z etapas e objetivos? Que as coisas não precisam ser do jeito que você planejou? Que não é preciso ter grandes planos o tempo inteiro? Que você não é menos digno porque seu sonho não é ser milionário nem CEO de uma multinacional?

Às vezes você simplesmente não sabe o que vai ser da sua vida. E você não sabe exatamente se você quer ter três filhos e dois gatos. Você nem sabe o que você quer jantar ou se você realmente quer jantar hoje. Você não tem nem idéia se você quer comprar um apartamento em São Paulo ou pegar um avião e fugir uns bons meses do Brasil. Às vezes você não tem idéia de nada e deveria simplesmente relaxar a cabeça e deixar algumas coisas acontecerem.

Não acho que a gente deve viver uma vida morna e mofar na cama pelo resto da vida. Mas acho que a gente deveria relaxar mais, se preocupar menos, e literalmente flutuar um pouco na onda… Ai, socorro, preciso relaxar….

 

 

Direito de escolher…

[Vou tentar não deixar a emoção tomar conta, mas confesso que é difícil]

Por que dói tanto? Primeiro, o óbvio: dói porque você percebe claramente que podia ter sido você ou alguém que você ama. Ainda mais por ser num lugar normal onde você também pedala, num horário que você também pedala, alguém que ama aquilo que você ama. E era alguém experiente e que sabia exatamente o que estava fazendo.

Mas dói muito porque você se sente derrotado. Derrotado porque quem anda de bicicleta em São Paulo é alguém que tem fé. É uma pessoa mais otimista do que a média. Porque quem pedala no trânsito sabe que existem riscos, mas sabe que se tomar todos os cuidados a chance de morrer é muito pequena. Quem anda de bicicleta realmente ama pedalar, sabe das vantagens e mesmo sabendo dos riscos tem a esperança de que aquilo que está na lei e em outros países pode acontecer um dia em São Paulo. E, quando alguém que aparentemente tomou todos os cuidados morre de forma tão violenta, sua esperança é meio que estraçalhada. Você precisa reconstruí-la…

Tá, acredito que foi uma fatalidade e fatalidades acontecem. Enquanto não sabemos como ocorreu, não dá para tirar conclusões nem apontar nada.

O que dói pra mim com essa história é que a morte de um ciclista é um argumento a mais para TODO MUNDO vir dizer “Ai, tá vendo, eu falei que era perigoso! Falei que você não devia andar de bike” “Tá vendo, ciclista é tudo suicida e louco!”. Pessoas, não usem uma tragédia dessas assim.

Dói você querer ter a LIBERDADE de fazer algo que ama (e que faz sentido numa cidade caótica/poluída/saturada) e você se sentir tolhido de fazer. É cansativo ter que convencer as pessoas o tempo todo de que você tem sim o direito de se locomover de bicicleta, de que você não é louco, de que é possível. Oras, principalmente numa cidade caótica como São Paulo as pessoas deveriam pensar na bicicleta como alternativa! Como diminuir o trânsito e a poluição? Resposta óbvia: reduzindo o número de carros! (afinal o transporte público decente/suficiente ainda tem chão…).

Para quem não gosta de bicicleta (ou nunca experimentou) é fácil falar “ciclistas são loucos e não devem andar por aí assim”. É fácil falar “não faça o que você quer e o que gosta, mesmo se você acha que isso é bom pra você”. “Seu filho quer andar de bicicleta na rua? Problema dele, manda ele gostar de andar de ônibus lotado! Ele é louco?”.

Bicicleta não é só um meio de transporte saudável/prático/inteligente/não poluente. Bicicleta, para muitos, é paixão. E que direito você tem de dizer a alguém que ele deve deixar de lado sua paixão? Não estamos falando de maconha, cigarro, autoflagelação. Estamos falando de um meio de transporte normal, prático, que só tem benefícios.

Você por acaso fala para alguém: “Ah, deixa de ser gay porque é perigoso! As pessoas podem te espancar na rua!”. “Ah, não usa essa  roupa porque vão te estuprar hein!”. “Ah, deixa de ser negro porque você não vai conseguir trabalho hein!”

Querer ter LIBERDADE de escolha ou de ser algo é uma coisa tão velha, gente. Como assim a gente ainda fica discutindo o direito de escolher o próprio meio de transporte?

São Paulo é uma cidade caótica e perigosa? Sim, com certeza! Mas é totalmente viável andar de bicicleta em boa parte da cidade desde que se tome TODOS os cuidados e desde que a população comece a entender que é possível a convivência de outros meios de transporte além dos carros. Aqui não é Paris e tem muuuito chão ainda pela frente, falta tudo, falta regulamentação clara, sinalização,  conscientização, execução de penalidades, falta ciclovia, falta a cultura da bicicleta, falta o respeito… Mas tudo tem que começar de algum lugar.