Mudar o mundo?…

Estou meio sem palavras em relação ao episódio do louco que atropelou ciclistas de propósito em Porto Alegre. Obviamente deixa um sentimento de tristeza, raiva e muita revolta. E o episódio pede punição e conscientização das pessoas que ainda desrespeitam ciclistas descaradamente. Mas, sério, eu sou totalmente contra qualquer onda de agressividade, ódio, apologia radical e repetição da cena de atropelamento o tempo inteiro. Se seu amigo sofresse um acidente você ia querer que a imagem dele ficasse se espalhando na internet? Alguém gosta também de receber aqueles vídeos sangrentos de matança de animais para tentar convencer as pessoas a virarem vegetarianas?

Parei para pensar de novo em como existem maneiras e maneiras de se tentar conscientizar pessoas ou espalhar boas ideias, ideais e projetos. Eu virei vegetariana por livre e tranquila opção, sem ninguém me convencer ou dar sermão. Conversei com um amigo que me explicou as razões dele de forma sossegada (sem pregar nada) e pensei que era uma opção viável para mim. Acho totalmente ineficiente mandar vídeos sangrentos para as pessoas pararem de comer carne. Assim como acho ineficiente tentar convencer as pessoas a deixarem de usar o carro mandando textos, vídeos e e-mails radicais. Radicalismos e exageros só geram mais radicalismos e exageros. E na boa, quem não mexe a bunda para subir 1 andar de escada não vai começar a ir de  bike para o trabalho porque recebeu um texto falando sobre o quanto os carros matam pessoas, poluem e são os demônios.

Precisamos repensar nossa forma de mostrar alternativas, estilos de vida e opções. Ninguém é obrigado a concordar ou seguir com as suas opções. Seria maravilhoso se todo mundo aderisse a melhores alternativas de vida, mas isso demora e devagar já está mudando, querendo ou não. [e olha que eu sou uma pessimista…] O mundo já está mudando para melhor.

Por exemplo, acho muito mais eficiente as pessoas que simplesmente mostram seu estilo de vida de forma tranquila, através de blog, atitudes, conversas não forçadas. Os tweets da Vê, por exemplo, sempre me deram uma megavontade de andar de bike. Hoje eu ando pouco de bike ainda , os trechos são pequenos, mas já é um começo (e uma alegria para mim).

Não adianta nada as pessoas terem atitudes legais e ‘sustentáveis’ mas serem pessoas escrotas (desculpem o termo) e desagradáveis, agressivas. Você não tem que falar às pessoas que você tem nojo da comida que elas comem. Você não tem o direito de falar a elas que elas são assassinas e inconscientes do nada, sem saber nada sobre elas. Talvez elas comam carne mesmo, mas elas não vão mudar porque você fala de forma repugnante da comida delas. Talvez elas usem carro para andar 2km, mas elas não vão mudar porque você fala que o carro delas mata milhões de criancinhas por causa da poluição.

Antes de a gente querer virar exemplo para  alguém tem que rever muito as próprias atitudes, em todos os aspectos. De que adianta ser vegetariano e tratar as pessoas mal? De que adianta deixar o carro em casa e ser agressivo? Se a pessoa quiser ser bancária, gay, onívora, pole dancer, astróloga, vidente, protestante, evangélica, na boa, você não vai mudar isso. Antes de reprovar as atitudes das pessoas a gente tem muito o que pensar sobre a própria vida. Ninguém vai ter a atitude e a vida perfeita e impecável, mas pode começar respeitando as opções religiosas, sexuais, alimentícias e profissionais dos outros.

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